Aluna tem olho furado por colega de sala
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quinta-feira, 10 de maio de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Uma estudante de 17 anos do Colégio Estadual Tiago Terra (Zona Sul de Londrina) teve o olho esquerdo perfurado por uma colega de turma, dentro da sala de aula. A agressão teria ocorrido durante uma discussão que começou porque a vítima teria chegado alguns minutos atrasada. A mãe da adolescente ferida adiantou que vai processar tanto o colégio quanto os pais da autora da violência. Este caso soma-se a outros também graves que envolveram a comunidade escolar de Londrina neste ano.
O colégio funciona junto com o Centro de Atendimento Integral à Criança e ao Adolescente (Caic) da Zona Sul, dirigido pelo professor Amauri Pereira Cardoso. A direção do colégio foi procurada pela FOLHA, mas não retornou a ligação. Cardoso contou que a aluna agredida chegou atrasada para o início das aulas de quarta-feira e teria sido alvo de piadas e comentários maldosos por parte de um aluno. Uma outra aluna de 15 anos, que seria cunhada do adolescente, teria intervido na discussão e partido para cima da colega de sala com um objeto, que seria uma caneta ou lápis.
Na confusão, a estudante de 17 anos teve o olho esquerdo perfurado. A direção do colégio acionou uma ambulância do Samu que, primeiro, encaminhou a adolescente para o Hospital da Zona Sul. De lá, ela foi transferida para o Hospital Universitário. A estudante foi atendida pelo médico Sérgio Pacheco que informou, através da assessoria, que houve perda do cristalino. O profissional, no entanto, apontou que é cedo para dizer se ela vai perder ou não a visão no olho atingido.
Uma equipe da Patrulha Escolar foi acionada para registrar o incidente, que também foi comunicado à chefia do Núcleo Regional de Educação (NRE). A estudante autora da agressão foi suspensa temporariamente das atividades em sala e sua conduta será apreciada pelo Conselho Escolar - órgão consultivo e deliberativo formado pela direção do colégio, professores e alunos maiores de 16 anos -, e deverá ter que comparecer ante o Conselho Tutelar, à Promotoria da Vara da Infância e Juventude ou até mesmo ser expulsa.
A mãe da jovem criticou o fato de ter sabido da agressão através de uma conhecida e da falta de apoio da direção do colégio, ''que nem telefonou'' para se informar sobre a gravidade do ferimento. Ela também negou que a filha estivesse chegado atrasada à aula.
A mãe disse que a menina tem miopia, usa óculos com lentes grossas e, por isso, é ridicularizada pelos colegas. ''Minha filha é diariamente humilhada, xingada e discriminada dentro da sala. Por medo, ela não me conta nada e sei disso através de uma conhecida que trabalha na escola'', reclamou. A mulher contou que a filha está traumatizada e antecipou que já procurou um advogado para processar o colégio e os pais da menina autora da agressão.
Este caso grave de violência em escola soma-se a pelo menos outros dois registrados desde o início do ano: na Zona Sul, uma diretora sofreu um sequestro-relâmpago que teve participação de dois alunos; na Zona Leste, um aluno usou uma barra de ferro para golpear o braço de uma professora.


