Aluna quer indenização por ter cursado mesma série duas vezes
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 1997
Da Redação 
Warren NabucoNo sufocoMaria José Vieira de Morais: Seis meses de mensalidades mexem com a minha condição financeiraUm engano fez com que a professora e estudante Maria José Vieira de Morais cursasse duas vezes o mesmo ano de licenciatura plena em Matemática no Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon), vinculado ao Instituto Filadélfia. Agora ela quer ser ressarcida das mensalidades pagas desnecessariamente. A diretoria do Cesulon alega que só atendeu a vontade da aluna que, segundo a escola, teria pedido para se matricular no segundo ano. Mesmo assim, a direção admite estudar o reembolso.
A confusão começou quando, por falta de quórum, a turma de Maria José começou a licenciatura plena no segundo ano, em vez do primeiro. Isso ocorreu em 93, quando a professora resolveu retornar à faculdade para complementar o curriculum. Ela havia concluído a licenciatura curta, que dá direito a lecionar apenas no primário. A escola informa que o Ministério da Educação permite a inversão dos anos no caso específico do curso de licenciatura plena em Matemática.
Maria José afirma que em 93 fez os seis meses correspondentes ao 2º ano do curso. Problemas pessoais fizeram com que ela deixasse a faculdade. No ano passado, ao retornar, teria dito, na secretaria da escola, que estava no 1º ano. Mesmo assim, foi matriculada novamente no 2º ano. Como não me deram um documento para eu assinar em 96, só fui perceber o erro agora quando vi as matérias que terei que fazer este ano - todas são do primeiro ano e eu pensei que já tivesse concluído o primeiro ano, diz.
Se não fosse o engano, Maria José deveria estar concluindo o curso dentro de seis meses. Mas descobriu que para pegar o diploma ela terá que estudar este ano todo. Isso mexe com a minha condição financeira, reclama. Atualmente desempregada, Maria José afirma que o erro fez com que ela perdesse um emprego em Belo Horizonte, onde reside parte da família. Os seis meses do curso que Maria José refez significaram um investimento de R$ 1,8 mil. Não tenho dinheiro para isso, diz.
Segundo informações obtidas na secretaria do Cesulon, em 96 novamente não foi ofertado o primeiro ano do curso por falta de quórum e Maria José teria que esperar para fazê-lo este ano.
A informação na secretaria do Cesulon é que a própria estudante teria pedido para se matricular no 2º ano, em 96. Acreditando na estudante, os funcionários não teriam verificado nos arquivos se a informação da aluna era correta. De acordo com funcionários da secretaria, a escola só foi informatizada em 94, não guardando, no computador, informações de 93 - quando Maria José teria feito o 2º ano pela primeira vez.
Entendemos que ela quisesse recordar as matérias por estar afastada do curso e, então, foi autorizado que fizesse de novo o mesmo ano, afirma o diretor financeiro do Cesulon, Eleazar Ferreira. Segundo Ferreira, se ficar comprovado o prejuízo da aluna, ela pode ser ressarcida ou fazer uma compensação de pagamento durante este ano.


