Londrina

Mário CésarEvidênciaJosefa Yabe e Sônia Gimenez: ‘Nem precisa apelar para a Cetesb para saber que o Igapó está poluído’O resultado de análise das águas do lago Igapó, feita pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), está causando divergências na Cidade. De acordo com o laudo, a qualidade da água está dentro dos parâmetros considerados bons. O exame foi feito em decorrência de grande mortantade de peixes registrada no Lago 1 há poucas semanas.
Em reunião da Comissão Permanente de Vigilância e Defesa do Igapó da Câmara Municipal, com a participação de representantes da Autarquia do Meio Ambiente (AMA), Sanepar, Iate Clube e associação de amigos e moradores às margens do Igapó, o resultado da análise foi colocado em dúvida. Uma das pessoas que defendeu um novo exame foi a aluna do mestrado de Microbiologia na Universidade Estadual de Londrina (UEL) Luisa Maria Gonçalves Mangas Catarino.
Segundo Luisa, que participou da reunião como aluna de remo do Iate Clube e não como representante da UEL, faltam informações para tornar o laudo do IAP mais confiável. ‘‘Faltam o número de amostragem analisada, a metodologia usada. Se a água está tão ótima como o exame aponta, porque os peixes estão morrendo? Pelo laudo, daria para beber a água do Igapó, e isso não é verdade.’’ Embora não seja uma profissional autorizada a assinar laudos, Maria Luisa diz que os conhece muito bem. ‘‘Tenho estudos suficientes para saber como deve ser um laudo.’’
Os comentários de Luisa não agradaram o chefe regional do IAP, Nelson Santos Pereira. Ele já protocolou um ofício na Câmara, solicitando a lista de presença na reunião de terça-feira e a transcrição da fita. Pereira não participou da reunião, segundo afirmou, porque teve que resolver outros problemas.
‘‘Com base na transcrição da fita, pretendemos tomar todas as medidas cabíveis contra as pessoas que colocaram em dúvida o trabalho desenvolvido pelo laboratório do IAP. Elas terão que provar o que disseram.’’ Nelson Pereira salienta que o sistema de qualidade do instituto é reconhecido internacionalmente.
O chefe do Instituto explica que quem conduziu todo o processo de escolha dos pontos e parâmetros de coleta e análise da água do Igapó foi a Autarquia do Meio Ambiente (AMA). Foram feitos exames de oxigênio dissolvido, demanda química de oxigênio e coliformes fecais.
Nelson Pereira comenta que os resultados obtidos pelo IAP não significam que o Igapó não esteja poluído. ‘‘Devemos continuar as investigações, usando novos parâmetros.’’ Ele informa ainda que o IAP faz o monitoramento ‘‘quase que mensal’’ das águas do Igapó, que apontam pontos preocupantes de lançamento de esgoto sanitário clandestino. Um destes pontos é o lago que passa no Zerão.
Ainda de acordo com Nelson Pereira, o IAP está estudando, junto com a AMA, a possibilidade de o Instituto fazer a análise de balneabilidade do Igapó. Ou seja: apontar os pontos favoráveis para banho durante o verão.
O vereador Célio Guergoletto (PMDB), da Comissão Permanente de Vigilância e Defesa do Igapó da Câmara Municipal, informa que os exames da água serão feitos pela Companhia Estadual de Tratamento de Esgosto e Saneamento Básico (Cetesb), de São Paulo, e não mais pelo Instituto Adolfo Lutz. A coleta será feita hoje e os exames devem ficar prontos de 10 a 12 dias.
A situação do lago motivou a criação de uma parceria entre o Rotary Club Alvorada e AMA, através da qual uma equipe fixa da Prefeitura irá trabalhar na limpeza do lago. O Rotary vai complementar os equipamentos necessários para o trabalho.

mockup