Desde quinta-feira, o londrinense está pagando R$ 145,00 pelo aluguel de uma caçamba. O aumento de mais de 80% é a principal consequência do embargo da antiga pedreira do Jardim Ideal (Zona Leste), que na última década foi utilizada como depósito de resíduos para a construção civil. A desativação do local criou também uma polêmica entre os 25 catadores que sobreviviam dos resíduos: migrar ou não para o novo endereço escolhido pelos caçambeiros.
À princípio, a Associação dos Transportadores de Entulho de Londrina (ATEL), formada por 10 empresas, utilizará a Kurica Ambiental, localizada no Patrimônio Selva (Zona Sul), para atender a clientela. Segundo Claudio José Mendes, presidente da entidade, o acréscimo no custo da caçamba decorre do aumento na distância até o novo depósito. ''Dobramos o trajeto e pagaremos R$ 45,00 para o processamento do material, custo inexistente na época da pedreira'', justificou o empresário.
O reajuste no preço de aluguel da caçamba praticamente paralisou os negócios. Conforme Mendes, pequenos geradores, assustados com a nova tabela, levantam a possibilidade de enterrar ou amontoar os entulhos. Segundo Fabio Reali, diretor de operações da CMTU, o cidadão que obstruir via pública com lixo está sujeito a multa de até R$ 1,5 mil. Se o local for área de preservação ambiental, a penalidade é maior e inclui um processo criminal.
O Código de Posturas do Município exige dos geradores de lixo a destinação adequada para cada espécie de resíduo (orgânico, reciclável, hospitalar, entulhos, etc). Este é o serviço que a Kurica propõe fazer em diferentes centrais, numa área de 150 hectares, exclusivamente particular. Ontem à tarde, o gerente operacional da empresa, Joel Leandro de Queiroga, discutia com os catadores do Jardim Ideal a contratação do grupo. ''Priorizamos os moradores do Jardim União da Vitória, mas podemos incluí-los, caso aceitem a remuneração e a carga horária oferecidas. Alguns estão indecisos devido à flexibilidade de horário e ganho que obtinham como autônomos'', ponderou.
''A gente quer trabalhar, e quanto mais rápido, melhor'', comentou Roseli Aparecida Gois, 34 anos, que garimpa entulho há sete anos. Para Roseli, o único problema é a distância. ''Moro lá perto do outro aterro; lá eu conseguia almoçar em casa, ir a reuniões na escola das crianças. Agora não tenho condições de vir até aqui'', afirmou, alegando que sustenta seus quatro filhos com os cerca de R$ 70 semanais que consegue com o serviço.
O problema do transporte foi levantado por todos os garimpeiros presentes. ''Moro nos Cinco Conjuntos, agora vai ficar mais longe ainda. Vamos ver se eles (a empresa) dão um jeito'', sugeriu Ivone Rosalina da Silva, 43 anos, 12 de garimpo. Ela diz conseguir R$ 300 semanais com a separação de papel, plástico e outros materiais jogados junto aos entulhos de construção.
Segundo o gerente do novo aterro, a empresa está estudando a possibilidade de disponibilizar um transporte para atender esse pessoal.

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