Moradora do Conjunto Habitacional Pindorama (zona leste de Londrina), a aposentada Lourdes Rosa está em alerta. Ela diz estar ciente de que o bairro onde mora tem muitos focos do mosquito da dengue. Segundo a Prefeitura, o índice de infestação predial é de 14,49, o que significa dizer que a cada 100 casas vistoriadas, em quase 15 foram identificados criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. "A gente vive à base de veneno e nem flor eu tenho em minha casa mais", contou.
Os cuidados ficaram ainda maiores depois que ela, o marido e o filho mais novo tiveram a doença. "Tem uma data vazia ao lado da minha casa e a molecada pulava o muro para comer e deixava as coisas lá, o mato também estava alto. Agora roçaram, mas já está crescendo de novo e a gente fica com medo, pois a situação é crítica", afirmou.
O medo é ainda maior para quem mora próximo ao córrego Água das Pedras. Não é preciso andar muito às margens do riacho para encontrar diversos tipos de lixo, como restos de embalagens de refrigerantes, que são possíveis criadouros do Aedes. A reportagem encontrou até um vaso sanitário jogado ao lado de outros materiais que sobraram de construção.
Na Vila Santa Terezinha, bairro vizinho ao Pindorama, a situação não é muito diferente. O índice de infestação predial da dengue é de 8,43. A dona de casa Valdirene da Silva está com medo de entrar para as estatísticas da doença e ontem fez uma limpeza geral em seu quintal. "Faço minha parte, mas não adianta nada se o vizinho não fizer a dele também", disse.
A Prefeitura de Londrina alerta que os cuidados devem ser redobrados nos dois bairros, já que ambos são reincidentes e possuem índices de infestação muito acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). "São pontos críticos. Às vezes melhora um pouco, mas logo volta a ter problema. A maioria dos bairros que apresentaram índices altos é reincidente", pontuou a gerente de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Diana Martins.

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