Alto custo deixa academias ao ar livre sem manutenção
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina Por falta de manutenção, as academias ao ar livre de Londrina estão colocando em risco a saúde e a integridade física dos usuários dos equipamentos de ginástica. O problema é que o custo do trabalho, que só pode ser feito pela empresa fabricante dos aparelhos, é considerado proibitivo pela Fundação de Esporte de Londrina (FEL), autarquia da administração municipal.
De acordo com o diretor técnico da FEL, Jefferson Del Fraro, o pedido da empresa é de R$ 3 mil por mês por aparelho. Como em Londrina existem hoje 83 academias ao ar livre, com uma média de dez aparelhos diferentes em cada, a manutenção custaria aos cofres públicos quase R$ 250 mil por mês. Uma academia nova, de acordo com a autarquia, custa hoje cerca de R$ 20 mil. Seria como se por ano fosse gasto o valor equivalente à aquisição de quase 150 academias para garantir a manutenção de 83 delas.
Tony Ananias, coordenador de marketing da empresa maringaense Ziober Brasil, que fabrica as academias, diz que a firma é responsável por 70% dos equipamentos do tipo implantados no País. Ele não quis confirmar o valor de uma academia nova.
O resultado dessa falta de manutenção é que os aparelhos já apresentam desgaste e, em muitos casos, estão enferrujados ou com peças faltando. Pior para os usuários.
O estudante Júlio César de Freitas, de 13 anos, é frequentador do Lago Igapó (zona sul) e diz que a corrosão nos equipamentos da academia ao ar livre é um sinal de desleixo na manutenção. "Pelo menos deveriam colocar uma proteção para evitar que as pessoas se machuquem até consertar o equipamento", cobra.
No Jardim Bandeirantes (zona oeste), a proprietária de um bazar, Lenilda Almeida, de 58, chegou a recolher partes de um equipamento danificado para evitar que a peça fosse levada embora. "Eles vieram aqui, recolheram a peça e prometeram que iriam consertar o equipamento, mas até agora isso não aconteceu", afirma a comerciante, que espera o conserto há meses.
Segundo Lenilda, outros equipamentos na mesma academia também estão danificados. Estão faltando encostos no aparelho de pressão das pernas, a roda do aparelho de rotação vertical também está quebrada e as luvas de borracha, que deveriam assegurar uma pegada melhor, também sumiram em vários equipamentos.
No Jardim Morumbi (zona leste), a falta de luvas de borracha também é muito comum. No lugar deles um morador chegou a improvisar um cano de PVC para substituir o grip do simulador de esqui. Por lá, o simulador de remo também está quebrado.
O cobrador de ônibus Claudinei Arruda, de 65 anos, que é frequentador assíduo do espaço, reclama que a roda do aparelho de rotação vertical está desaparecida.
A FEL não possui um levantamento de quantos aparelhos estão danificados, mas, segundo constatação feita pela reportagem, em média cerca de 20% dos aparelhos apresentam problemas em função da ferrugem, vandalismo ou desgaste pelo uso, percentual que a FEL admitiu ser próximo do real. "Algumas academias estão bem preservadas, outras possuem um percentual de dano maior que isso, mas a média deve ser essa", afirmou Del Fraro.
Como os preços da manutenção "oficial" são considerados proibitivos, a administração estuda uma alternativa. "Nosso orçamento é pequeno e não teríamos condições de arcar com uma despesa dessas. No lugar disso estamos prevendo a publicação de uma licitação para a contratação de um serralheiro para fazer o serviço", afirma. Ele aponta que as peças usadas nos aparelhos das academias são patenteadas, e ele teme que a prefeitura sofra um processo judicial se confeccionar peças próprias.
O diretor da FEL destaca que a pasta recebe apenas R$ 4,2 milhões ao ano para realizar a manutenção de todos os equipamentos esportivos de Londrina, incluindo o ginásio Moringão, o estádio do Café, o Centro de Ginástica Olímpica Alceu Malucelli. Segundo ele, o valor é insuficiente para bancar o contrato de manutenção das academias ao ar livre.


