O reajuste da tarifa de ônibus de R$ 1,35 para R$ 1,60 está obrigando muita gente a fazer uma economia forçada. É que a diferença de R$ 0,25, que parece pequena, acaba fazendo uma grande diferença no final do mês, principalmente para as famílias de renda mais baixa que sobrevivem, por exemplo, com um salário mínimo (R$ 240).
  A saída escolhida por alguns londrinenses foi trocar o ônibus pela bicicleta ou mesmo pela caminhada. Na semana passada, a Folha conversou com alguns trabalhadores que pedalam muitos quilômetros, enfrentando o trânsito perigoso, para economizar o dinheiro da passagem.
  É o caso de Liomar Rozendo de Oliveira, que trabalha como embalador numa fábrica na zona oeste de Londrina. Morador do Jardim Piza, na zona sul, ele percorre de bicicleta os cerca de 15 quilômetros entre sua casa e o local de trabalho, apenas para não pegar ônibus. ‘‘É caro demais. Há uns oito anos não uso (o transporte coletivo). Eu gastaria uns R$ 85 por mês com esse novo valor de passe. Só ganho R$ 350. Pesa muito’’, diz Oliveira.
  O trabalhador autônomo Flávio Rodrigues Santos, morador do jardim Santa Fé (zona leste), apenas recentemente começou a adotar a bicicleta como meio de locomoção. ‘‘Até R$ 1,35 dava para agüentar. Já R$ 1,60 é demais’’,
explica.
  O reajuste da tarifa de ônibus está provocando muita polêmica em Londrina desde que entrou em vigor, no dia 1º de junho. Estudantes já realizaram vários protestos, sendo que a manifestação realizada no dia 13 de junho, no Terminal Urbano, terminou em violência: um rapaz foi atropelado e hospitalizado em estado grave e dois ônibus foram apedrejados.
  Também no dia 13, o juiz substituto da 4ª Vara Cível de Londrina, Álvaro Rodrigues Júnior, negou pedido de liminar do Ministério Público para o cancelamento do aumento.

l É aquele que não tem vínculo com uma empresa. Trabalha por conta própria, sem carteira assinada.

l A população pode e deve manifestar sua vontade, expressar sua opinião, protestar e reivindicar. Mas qualquer forma de violência é injustificável

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