Tudo leva a crer que, desta vez, Altamira do Paraná (140 km ao sul de Campo Mourão) terá um Dia de Finados sem reclamações. Graças ao Cemitério Municipal São João Batista, que começou a ser construído no final do ano passado e agora está praticamente pronto. Trata-se do quarto cemitério da cidade, que tem apenas 15 anos de vida e pouco mais de 7 mil habitantes. ‘‘Agora temos um cemitério muito bonito’’, orgulha-se o prefeito Luiz Fernando Vecchi (PDT). Nem sempre, no entanto, foi assim.
A novela dos cemitérios de Altamira começou há cerca de oito anos, quando o primeiro cemitério da cidade teve que ser desativado para dar lugar ao Hospital Municipal. Como a topografia acidentada domina Altamira, o segundo cemitério acabou parando numa ‘‘ribanceira’’ e os moradores chiaram. Pudera. Em dias de chuva, as enxurradas chegavam a descobrir túmulos e deixar caixões e até ossos à mostra. Além disso, o terreno era pedregoso e dificultava a escavação de sepulturas.
Pressionada pela população, a prefeitura alegava que não conseguia um terreno apropriado. Enquanto isso, familiares preferiam enterrar os parentes em Campina da Lagoa, a 40 quilômetros de distância. No final de 1996, a prefeitura chegou a inaugurar um terceiro cemitério na entrada da cidade, mas ele nunca recebeu um defunto. Moradores de um conjunto habitacional ao lado fizeram um abaixo-assinado contra o ‘‘campo santo’’. Resultado: Vecchi tomou posse e desmanchou o terceiro cemitério e prometeu construir um novo. Outro!
O quarto cemitério, que parece ter posto um ponto final na história, fica a dois quilômetros da cidade, num terreno considerado plano para os padrões do município. O cemitério é ao estilo jardim, com todos os túmulos iguais. ‘‘Terminamos com a desigualdade no cemitério’’, diz o prefeito. Segundo ele, o cemitério já custou quase R$ 40 mil à prefeitura, entre compra do terreno de 1,5 alqueire, construção de muro, calçada em petit-pavé, meio-fio e cruzeiro.
‘‘Agora, dá até prazer em ir ao cemitério no Dia de Finados assistir uma missa’’, ressalta Vecchi. De acordo com o prefeito, o novo cemitério agradou à população e muita gente está transferindo os restos mortais de parentes do segundo cemitério (aquele, da ribanceira) para o novo ‘‘campo santo’’. ‘‘A prefeitura não está incentivando a transferência, mas as pessoas gostaram do cemitério-jardim’’, diz. No terreno do terceiro cemitério (aquele, que nunca foi usado) estão sendo construídas 22 casas populares. (Sid Sauer)

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