Alta no preço dos remédios preocupa consumidor
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quinta-feira, 21 de novembro de 2002
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Nos últimos dias, as farmárcias de Londrina ajustaram os preços dos remédios acompanhando o aumento autorizado pelo Governo. O acréscimo foi de 8,5%, em média, embora alguns tenham chegado a 10%. Com isso, o consumidor já pensa nos gastos que terá de enfrentar todos os meses.
Antes da aumento nos preços, o aposentado Togo Rosa da Cunha, 75 anos, e a esposa Halina Lydia Cunha gastavam R$ 200,00 por mês com remédios de uso contínuo. Ele ainda não comprou medicamentos após a alta, mas já declarou que terá que cortar gastos para compensar o acréscimo. ''Hoje, o que não é supérfulo para nós vai passar a ser. Eu gosto, por exemplo, de requeijão mas não sei se vou poder comprar, assim como frutas e goiabada'', constatou.
A renda da família é de R$ 1,1 mil e Cunha declarou que a conta da farmácia pesa muito. Ele não pesquisa o preço antes de comprar. ''Compro a mais de 20 anos na mesma farmácia e quando pago à vista, o que quase nunca acontece, ele me dá um desconto'', disse.
Aposentado desde 1994, Togo da Cunha preenche seu tempo com trabalho voluntário. ''Duas vezes por semana, vou ao Instituto dos Cegos e gravo livros para que os deficientes possam escutar depois'', contou. Ele também ajuda o Centro Espírita Nosso Lar e ressaltou que ser voluntário é muito gratificante, ''É bom ajudar o próximo. Enquanto a voz aguentar eu estarei lá''.
A Secretaria de Saúde de Londrina ainda não adquiriu medicamentos com o reajuste. O diretor financeiro da Secretaria, Marcelo Machado, disse que eles estão trabalhando com os remédios disponíveis no estoque. ''Temos uma licitação em andamento e em dezembro deveremos adquirir novos medicamentos'', afirmou. Segundo ele, os valores apresentados pelas empresas concorrentes estão acima do esperado. ''Nossa previsão é gastar R$ 700 mil e o valor apresentado é de R$ 1 milhão''. Para compensar esse valor excedente, Machado disse que terá que adequar o pedido à realidade financeira da secretaria. ''Vamos diminuir os pedidos dos medicamentos que temos em estoque para não deixar faltar'', explicou.


