Alta no ingresso dá prejuízo a agências
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terça-feira, 03 de dezembro de 1996
Montezuma Cruz 
Subiu ontem, de R$ 2,00 para R$ 6,00, o preço do ingresso no Parque Nacional do Iguaçu. A cobrança começou a ser feita às 8 horas, pela administração do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Na sexta-feira, o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens no Paraná (ABAV-PR), Felipe Gonzales, reuniu-se em Brasília com a direção do Ibama, tentando transferir para 1997 o início da cobrança, mas não obteve êxito.
Ontem, o presidente da Paraná Turismo, Wadis Benvenutti, reuniu-se em Foz do Iguaçu com Gonzales, para tentar reverter o quadro. Eles viajam novamente hoje para Brasília, a fim de se reunir com o Ibama.
Com arrecadação de R$ 1,7 milhão, o Iguaçu foi o único entre os 37 parques nacionais a dar lucro no ano passado. Entre 30% e 40% do total de visitantes são operados por agências de Foz.
O administrador do Iguaçu, Julio Goronchowski, orientou visitantes, agências e guias de turismo para que guardem os tíquetes de entrada. Assim podem ter direito a uma possível devolução.
Em Brasília, a Delegacia de Defesa do Consumidor (Procon) está acionando o Ibama para evitar a alta. Existe um pré-acordo entre o Ibama e o empresariado turístico para evitar prejuízos. Segundo Julio, compromissos anteriores ao aumento serão cumpridos. Assim, poderão ficar tranquilas as empresas que venderam pacotes incluindo o pagamento de R$ 2,00 pelo ingresso.
Somente ontem, a empresa Naipi Travels teve prejuízos de R$ 540,00, pagando a diferença de R$ 4,00 por pessoa. Ela recebeu 135 turistas estrangeiros. Empresas de grande porte, entre as quais a Caribe Turismo, STTC e Cataratas movimentam, cada uma, mais de 250 turistas por dia. O diretor regional da ABAV, Marcos Benítez dos Santos, acredita que elas acumularão prejuízos bem superiores. Grande parte dos pacotes foi fechada no ano passado, informou.
Até o final da semana deverá ser divulgado o relatório técnico do instituto sobre o impacto ambiental possivelmente provocado pelos helicópteros que sobrevoam o parque. Em outubro, ecologistas argentinos queixaram-se ao governo brasileiro de que os sobrevôos estariam prejudicando a fauna.
Projetos do governo federal devem melhorar as atividades do parque, a partir do próximo ano. Estima-se um investimento de R$ 20 milhões no biênio 97/99. As concessões também estão sendo revistas, em Brasília.
O administrador destacou entre as melhorias a construção de um Centro de Visitantes antes da entrada do Parque, que terá pessoal especializado, com material de apoio para prestar informações sobre passeios, fauna, flora, a história da região.
Até lá, a bilheteria será única, com ingressos para os diversos passeios, explicou Julio. Atualmente, os caixas no portão do parque cobram o ingresso e as empresas que exploram os passeios opcionais (passeio Macuco Safári e sobrevôo de helicóptero sobre as quedas) têm guichês separados.
Em 1997, os visitantes deverão se locomover num carro especial dentro do parque. O Ibama já obteve o termo de posse da propriedade onde será instalado o Centro de Visitantes e uma grande área de estacionamento. Essa medida evita que o limite de velocidade seja desrespeitado e permitirá ao turista observar pássaros, animais carnívoros e a vegetação.
No Iguaçu, os turistas se concentram na área das Cataratas, que representa 1% dos 184 mil hectares do Parque em Foz. Este trecho sofre o impacto de 900 mil visitas por ano, gerando recursos para manutenção do restante


