Curitiba - Presas da Penitenciária Feminina do Paraná costuram um novo laço de esperança para suas vidas. Participantes do projeto ''Costurando a Liberdade'', elas têm acesso a novas oportunidades de ressocialização por meio da alta-costura.
Do trabalho no setor de costura ®MDBO¯®MDNM¯industrial da penitenciária, 12 detentas passaram para o curso ministrado por profissionais da grife Gianni Cocchieri. O projeto, uma parceria entre o Departamento Penitenciário do Paraná, a Secretaria de Estado de Justiça, o Provopar e a grife, levou junto com os conceitos de qualidade, exclusividade e bom gosto uma nova perspectiva para a volta à sociedade.
A iniciativa é inédita. O contato com tesouras e agulhas ocorria apenas na linha industrial, em que os integrantes não têm a visão completa do que fazem e não se envolvem com a produção. Os tecidos utilizados no projetos foram apreendidos pela Receita Federal e doados à presidência do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar).
Distante da vida das detentas, a alta-costura tornou-se em poucos meses uma paixão. Desde junho do ano passado, os sábados foram dedicados à prática de grapeado, barras, elaboração de zipper invisível e conhecimento de diversos tipos de tecidos. Em poucos meses foram produzidos 45 looks, o que surpreendeu os profissionais do projeto.
O mercado paranaense (e até mesmo o nacional) da alta-costura está sempre em busca de profissionais qualificados. No curso, as mulheres da penitenciária adquiriram uma importante experiência no setor.
Este é mais um fator que causa grande expectativa às participantes do projeto. A proposta é dar continuidade à formação e contratá-las na grife ou auxiliá-las na criação de novos ateliês em suas cidades de origem. ''Damos muita motivação. Elas sentem medo do preconceito, mas digo que elas têm qualificação, que é fundamental para lutar contra isso'', afirma a empresária de moda Vania Cocchieri, responsável pela capacitação.
Com 25 anos de atuação na área, Vania conta que se envolveu emocionalmente com a iniciativa. Para ela, é gratificante trabalhar em um projeto que ''mexe com vidas, sonhos e mudanças de comportamento''. ''Quando alia o trabalho a um projeto social, tem um retorno muito maior. Muitos empresários deveriam ver como contribuir com a sociedade, pois ganha aprendizado e mão-de-obra qualificada'', sugere.

Serviço
- No dia 7 de abril, o Museu Oscar Niemeyer será a passarela do desfile que vai apresentar as primeiras produções das mulheres. O desfile está marcado para as 20 horas.

mockup