Alta-costura a serviço da ressocialização no Paraná
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terça-feira, 24 de março de 2009
Carolina Gabardo Belo<br> Equipe da Folha 
Pelas próprias mãos, presas da Penitenciária Feminina do Paraná costuram um novo laço de esperança para suas vidas. Participantes do projeto "Costurando a Liberdade", elas têm acesso a novas oportunidades de ressocialização por meio da alta-costura. Christian Dior, Giorgio Armani e Valentino que se cuidem.
Do trabalho no setor de costura industrial da penitenciária, 12 detentas passaram para o curso ministrado por profissionais da grife Gianni Cocchieri. O projeto, uma parceria entre o Departamento Penitenciário do Paraná, a Secretaria de Estado da Justiça, o Provopar e a grife, levou, junto com os conceitos de qualidade, exclusividade e bom gosto, uma nova perspectiva para a volta à sociedade.
A iniciativa é inédita. Nenhuma penitenciária paranaense oferece prática em alta-costura aos detentos. O contato com tesouras e agulhas normalmente ocorre apenas na linha industrial, em que os integrantes não têm a visão completa do que fazem e não se envolvem com a produção. Os tecidos utilizados no projetos foram apreendidos pela Receita Federal e doados à Provopar.
Distante da vida das detentas, a alta-costura tornou-se em poucos meses uma paixão. Desde junho do ano passado, os sábados foram dedicados à prática de drapeado, barras, elaboração de zíper invisível e conhecimento de diversos tipos de tecidos. Em poucos meses foram produzidos 45 looks, o que surpreendeu os profissionais do projeto.
O mercado paranaense (e até mesmo o nacional) da alta-costura conta com poucos profissionais qualificados. São raros os cursos na área que oferecem a experiência adquirida pelas mulheres da penitenciária. Esse é mais um fator que causa grande expectativa às participantes do projeto, uma vez que a proposta é dar continuidade à formação e contratá-las na grife ou auxiliá-las na criação de novos ateliês em suas cidades de origem. "Damos muita motivação. Elas sentem medo do preconceito, mas digo que elas têm qualificação, que é fundamental para lutar contra isso", afirma a empresária de moda Vania Cocchieri, responsável pela capacitação.
Em 25 anos de atuação na área, Vania conta que se envolveu emocionalmente com a iniciativa. Para ela, é gratificante trabalhar em um projeto que "mexe com vidas, sonhos e mudanças de comportamento". "Quando alia o trabalho a um projeto social, tem um retorno muito maior. Muitos empresários deveriam ver como contribuir com a sociedade, pois ganha aprendizado e mão-de-obra qualificada", sugere.


