Edmundo Inagaki

DivulgaçãoFranzen (1º à esq.) e Zippin (o quarto) foram os únicos sobreviventesTerminou em tragédia, na terça-feira à noite, a aventura dos cinco alpinistas brasileiros - os paranaenses Dálio Zippin Neto e Ronaldo ‘‘Nativo’’ Franzen Júnior, os cariocas Mozart Catão e Alexandre Oliveira, e o brasiliense Othon Leonardos - que tentavam escalar a face sul (conhecida como ‘‘rota francesa’’) do monte Aconcágua, na Argentina, com 6.959 metros.
Eles estavam no quarto dia de escalada do Aconcágua e desde o segundo dia as condições climáticas eram péssimas. Eles calculavam que em mais um dia concluiriam o projeto.
Por volta das 20 horas, enquanto os dois paranaenses aguardavam na Plaza França, localizada no acampamento-base do Aconcágua, Catão, Oliveira e Leonardos foram surpreendidos por uma avalanche na Pala Messner, rota paralela à ‘‘francesa’’, quando estavam a aproximadamente 600 metros da Crista del Guanaco, ponto final da escalada. Catão - que chefiava a expedição - e Oliveira foram soterrados pela neve e tiveram morte instantânea. Othon Leonardos, com as duas pernas fraturadas, ficou preso à corda de segurança. Pelo rádio, ele comunicou o acidente a Dálio Zippin Neto e Ronaldo Franzen Júnior, que imediatamente acionaram o serviço de salvamento.
Leonardos teria conversado cerca de duas horas com os dois companheiros brasileiros e agentes de segurança argentinos, mantendo um diálogo doloroso e emocionado, com muitas referências à sua família. Após esse período, o sinal de rádio silenciou.
O alpinista paranaense Waldemar Niclevicz, que em 95 conquistou o cume do monte Everest, no Nepal, ao lado de Mozart Catão, e teve frustradas duas tentativas de escalar a mesma face sul do Aconcágua (em 90 e 92), criticou a falta de prudência do grupo. ‘‘Recebi a notícia do acidente com muita tristeza. Foi uma fatalidade, pois as avalanches são muito comuns naquela área. Eles deveriam ter feito a escalada com o tempo mais estável’’.
Niclevicz afirmou que a morte dos três brasileiros vai prejudicar a imagem do alpinismo. ‘‘É importante que o esporte não seja visto como uma roleta russa ou algo sem planejamento. Que isto sirva de advertência, para que as pessoas procurem fazer alpinismo com mais harmonia com a montanha e não competindo com ela’’.
Os dois paranaenses devem chegar a Curitiba nos próximos dias. Até ontem à tarde, os corpos não haviam sido resgatados por falta de condições climáticas na região.

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