Para o alpinista curitibano Ronaldo Franzen Junior (o ‘‘Nativo’’), sobrevivente de uma avalanche no Monte Aconcágua (Argentina), em fevereiro deste ano, o acidente na expedição de Waldemar Niclevicz ao K2 foi uma fatalidade. ‘‘São coisas que acontecem, mas não posso avaliar sem saber detalhes’’, comentou.
Ele e Dálio Zippin Neto, também de Curitiba, participaram da escalada da face sul do Aconcágua, quando morreram em uma avalanche os alpinistas Mozart Catão (que escalou o Everest junto com Niclevicz), Alexandre Oliveira e Othon Leonardos. Na época, o próprio Waldemar Niclevicz caracterizou como ‘‘imprudente’’ a atitude do grupo em tentar a escalada.
‘‘O Waldemar não tinha como avaliar porque não estava lá para saber. Não foi imprudência, foi azar e fatalidade’’, disse Ronaldo Franzen Junior.
Ele também critica o fato da assessoria de Niclevicz chamar o monte K2 de ‘‘a montanha da morte’’. ‘‘Os montanhistas é que são suicidas e o chamam assim para dar ibope. A montanha está lá, quieta e maravilhosa’’, observou.
Franzen Junior participou de uma expedição com Niclevicz aos montes McKinley (Alasca) e Elbrus (Rússia), em 1996, mas acabou se desentendendo com ele por questões financeiras.
Dálio Zippin Neto, que também participou da expedição ao Aconcágua no início do ano, está praticando no Pico Marumbi e deve voltar a Curitiba na segunda-feira. Para o pai dele, o advogado e também montanhista Dálio Zippin Filho, o acidente que matou duas pessoas da equipe de Niclevicz também foi uma fatalidade. ‘‘Acidentes acontecem em qualquer lugar, qualquer ocasião, por mais cuidado que se tome. Muitas vezes, não é possível evitar mesmo com todo o planejamento’’, avaliou.
Dálio Zippin disse que não guarda nenhum remorso das críticas de Niclevicz à expedição de seu filho ao Aconcágua. ‘‘Foi apenas um mal entendido. Tenho boas recordações dele e espero que ele consiga alcançar todas as metas almejadas, trazendo essas conquistas para o Paraná.’’

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