Da Redação
Várias licitações irregulares teriam sido realizadas na Prefeitura de Londrina a mando do ex-secretário municipal de governo, Gino Azzolini Neto que, por sua vez, recebia aval do prefeito Antonio Belinati (PFL). Esta acusação consta do depoimento do ex-diretor administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Eduardo Alonso, prestado no dia 11 de novembro à Promotoria de Investigações Criminais (PIC).
O depoimento vinha sendo mantido em sigilo pelo Ministério Público, que investiga irregularidades em vários órgãos da prefeitura, mas começou a ser disponibilizado ontem para os jornalistas. Isso porque, o próprio Alonso autorizou um radialista de Londrina a ler o depoimento.
O depoimento foi prestado ao promotor da PIC, Cláudio Esteves, em Curitiba. Alonso, um dos principais implicados no caso e já indiciado nos inquéritos abertos pelas polícias Civil e Federal, relatou que procurou a promotoria espontaneamente porque tinha interesse em ‘‘colaborar efetivamente com a Justiça’’. Ele disse ainda que temia pela integridade física sua e de sua família.
O ex-diretor afirmou, no depoimento, que ‘‘por ocasião da venda das ações da Sercomtel (em maio de 98), aconteceu, na prefeitura, uma reunião convocada por Azzolini Neto, com a participação de alguns secretários municipais’’. ‘‘No início da reunião o prefeito esteve presente e disse a todos que era para fazer o que Gino mandasse’’, disse, em um trecho. ‘‘Nessa época, Gino controlava de fato a prefeitura, a mando do prefeito’’.
Segundo o depoimento de Eduardo Alonso, Azzolini Neto teria dito que na Comurb deveriam ser feitas consultorias, contratando empresas para serviços de engenharia visando estabelecer um caixa. ‘‘Esse caixa se destinaria a formar um patrimônio, ou melhor, para adquirir bens que tivessem rendas que possibilitassem justificar o patrimônio do prefeito, pensando, inclusive, em reeleição’’.
Ainda de acordo com o ex-diretor da Comurb, Azzolini Neto esteve no órgão com Cláudio Mena Barreto (diretor da empresa Sistema, de Curitiba) e de Arion Cruz Santos (representante da Esteio, também de Curitiba). Segundo ele, os dois indicaram as empresas às quais deveriam ser feitos os depósitos. Os pagamentos eram realizados primeiro e depois montados os processos licitatórios, disse Alonso. Representantes das duas empresas citadas, de Curitiba – Sistema e Esteio – já foram ouvidos pelo promotor Cláudio Esteves.
O ex-diretor da Comurb afirmou que, próximo da campanha eleitoral do ano passado, ‘‘intensificaram os pagamentos irregulares’’. Segundo ele, em agosto ou setembro de 98, Arion Santos teria trazido a Londrina R$ 3 milhões, que lhe foram entregues em um hotel. O dinheiro, afirmou à promotoria, seria uma antecipação de recursos que deveriam ser devolvidos à Esteio mais tarde, através de um contrato para realização de alguns serviços.
Segundo depoimento de Alonso, os R$ 3 milhões seriam destinados à campanha eleitoral. Alonso teria levado o dinheiro até Azzolini Neto, sendo que o valor foi dividido igualmente entre ele e Cassimiro Zaveruchia (Carlos Júnior). ‘‘Gino dizia que aquele R$ 1,5 que ficou em seu poder seria usado na campanha eleitoral que se aproximava’’.
Alonso afirmou ainda ao promotor que em novembro do ano passado Azzolini Neto teria dito que sairia da prefeitura para ‘‘cuidar de negócios particulares de Antonio Belinati, negócios estes que seriam adquiridos por meio do caixa que supostamente pretendia se formar’’.
No depoimento prestado pelo funcionário público Edson Alves da Cruz, Alonso é apontado como uma espécie de representante do grupo político do deputado federal José Janene. O nome do deputado não aparece nenhuma vez no depoimento que Alonso prestou na PIC.
Alonso havia sido convocado, pela segunda vez, a prestar depoimento ontem à tarde na Polícia Federal de Londrina, que também investiga as irregularidades. Apesar de ter garantido ao delegado João Luiz Prado que compareceria, ele não apareceu. O delegado informou que ele será novamente intimado.
O prefeito foi procurado pela Folha, através de sua assessoria de imprensa. Ele disse novamente que espera que as investigações do MP terminem o mais rápido possível para que os culpados sejam punidos exemplarmente. Uma mensagem foi deixada na caixa postal de Azzolini Neto, mas ele não retornou a ligação. Santos, da Esteio, não foi encontrado porque o telefone da empresa não pode ser divulgado.

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