Da Redação
‘‘Agora eu vou começar do zero. Quero outro tipo de vida.’’ A frase foi dita ontem no final da tarde pelo ex-diretor-administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Eduardo Alonso, para justificar as denúncias feitas por ele contra a administração municipal.
Alonso admitiu que foi beneficiado pelo esquema de corrupção, mas não revelou o valor que recebeu. ‘‘Entrei (nas denúncias de corrupção) como inimigo número 1, mas fiz a minha parte, assumi minha condição e acredito ter ajudado bastante nas investigações do Ministério Público.’’
Filho e neto de padeiros, Eduardo Alonso de Oliveira, 40 anos, formou-se em direito em 1983 e cinco anos depois iniciava-se na política como advogado da campanha do então candidato a prefeito Antonio Belinati (na época PDT).
Belinati ganhou a eleição e Alonso assumiu a Secretaria de Serviços Públicos. Ficou no cargo durante um ano e meio até ir para Rondônia, em 1990, dirigir algumas empresas do grupo do deputado federal José Janene (PPB). Acabou virando dono de uma dessas empresas, a Viação Ji-Paraná, de transporte coletivo, com uma frota de 32 veículos. ‘‘Foi uma ação trabalhista’’, justificou, sem dar maiores detalhes.
Alonso ficou cinco anos em Rondônia e, em 1996, voltou para Londrina e participou novamente da campanha de Belinati, para o terceiro mandato. Depois das eleições, foi convidado a fazer parte da nova administração, desta vez como secretário executivo da Comurb – segundo ele indicado pelo então presidente Cléber Tófolli, e não por José Janene. Ele saiu no ano passado, na condição de diretor-administrativo e principal envolvido no esquema AMA-Comurb. Na época, o caso estava sob investigações que já eram de conhecimento público.
Desde 88, Alonso passou por três partidos: PDT, PP (de Rondônia) e PPB – onde até anteontem era presidente do diretório municipal. A carta de renúncia foi endereçada ao deputado Janene, que é presidente estadual do partido. ‘‘Pedi a renúncia porque seria incoerente eu denunciar o prefeito enquanto o partido está na administração’’, disse.
Em um trecho da carta, Alonso diz: ‘‘... a renúncia se dá pelo profundo distanciamento entre meus critérios pessoais e políticos e as práticas/métodos corruptos e espúrios adotados pelo prefeito de Londrina, Antonio Belinati...’’
Sobre José Janene, ele diz que já teve um relacionamento profissional com o deputado, na época de Rondônia, mas que hoje o considera apenas um ‘‘amigo’’, ainda que ‘‘distanciado’’. ‘‘Politicamente não tenho mais nada. Até porque não quero mais saber de política’’, completou.
Eduardo Alonso diz que ainda possui em sociedade uma distribuidora em Rondônia e está estruturando uma empresa de telemarketing. Ele informou que vive com uma renda de R$ 4 mil, uma casa financiada pela Caixa, um apartamento na praia e anda com uma caminhonete Cherokee. ‘‘Não vivo de fachada. Toda a minha renda está no Imposto de Renda e posso explicar.’’

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