O que tinham em comum o ex-presidente Castelo Branco, o artista Mazzaroppi e os ex-prefeitos de Londrina Antonio Fernandes Sobrinho, José Richa e Wilson Moreira, todos já falecidos, além do fato de terem sido personalidades marcantes ? Quem não sabe, vai ficar sabendo agora: todos tomavam cafezinho no Café Ipanema.
E quem tomou, tomou, quem não tomou não toma mais porque, sem dar um alô, o Café Ipanema fechou para dar lugar a uma loja de uma empresa de telefonia, que alugou o prédio. Assim como das personalidades acima, só teremos lembrança daquele que foi um dos mais tradicionais pontos de encontro da população londrinense que ali se encontrava para tomar o delicioso ''café de coador'' da dona Antonia, principalmente nos dias frios de inverno, quando eram vendidos mais de 400 cafezinhos.
Funcionando no mesmo lugar durante 41 anos, o Ipanema foi aberto em 1967, por José da Rosa Vicente, já falecido, numa casa antiga que havia na esquina das avenidas São Paulo e Paraná, onde antes funcionava o cartório do Dr. Macedo - casa que foi demolida para dar lugar ao atual prédio, onde José e Antonia compraram a sala da esquina e o andar de cima, reinaugurando o Ipanema depois de dois anos fechado.
Antonia Bonifácio Vicente lembra que o Ipanema sempre foi um desfilar de personalidades. De cabeça, além dos citados, ela lembrou dos políticos Jaime Lerner, Roberto Requião e Luiz Carlos Hauly, dos artistas Raul Cortez, Moacir Franco e Waldick Soriano - este último, aliás, depois de encher a cara de uísque, andou criando encrenca na hora de pagar a conta, mas, macaco velho na roda, acabou acertando tudo numa boa.
Com expediente das seis da manhã às nove da noite, Antonia diz que problemas de saúde, cansaço e estafa - ''A gente não estava aguentando mais'' - somados a uma boa proposta, foram determinantes na decisão de fechar o estabelecimento. Fazendo questão de ''agradecer à clientela por todos esses anos'', ela deixa no ar uma esperança: ''Nosso café é segredo guardado a sete chaves. Vou descansar um pouco e futuramente vou abrir de novo o nosso tradicional café de 41 anos, o café de coador'', promete Antonia.

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