Grupo de voluntárias se reúne semanalmente: almofadas são repassadas a dois hospitais
Grupo de voluntárias se reúne semanalmente: almofadas são repassadas a dois hospitais | Foto: Marcos Zanutto



Há seis anos, a dentista Liliam Cristina Rossetto Soares descobriu um nódulo na mama esquerda. Na época, ela estava com 39 anos e a notícia veio após uma mamografia de rotina. Ela fez 21 sessões de quimioterapia e uma mastectomia total da mama. "Eu me lembro que no carro, após a alta do hospital, eu segurava o cinto de segurança para não encostar no local da cirurgia", conta.

Hoje, a dentista e mais quatro voluntárias se reúnem semanalmente para ajudar as mulheres que estão enfrentando a doença, confeccionando almofadas do coração. O nome atende justamente o formato do acessório que é utilizado embaixo do braço, apoiando a região onde foi feita a remoção da mama. "Ela ajuda no alívio da dor, na redução do inchaço linfático provocado pela cirurgia, na diminuição da tensão dos ombros e também como apoio do cinto de segurança do veículo, ao sair do hospital", afirma.

A ideia surgiu nos Estados Unidos e abriu caminhos até chegar em Londrina. O grupo confecciona as almofadas há 90 dias e as repassa para o HCL (Hospital do Câncer de Londrina) e agora também para HE (Hospital Evangélico).

SERVIÇO:
O projeto Almofadas do Coração aceita doações de tecidos, plumante e demais materiais de costura. O grupo se reúne toda quinta-feira, no centro de apoio do Templo da Primeira Igreja Presbiteriana Independente.

"O câncer pode até tirar um colorido da vida, mas sempre vão surgir outras cores", garante Inês Pereira Marques de Almeida
"O câncer pode até tirar um colorido da vida, mas sempre vão surgir outras cores", garante Inês Pereira Marques de Almeida | Foto: Ricardo Chicarelli



'Ou você desiste ou enfrenta a doença'
A dona de casa Inês Pereira Marques de Almeida, 58, cultiva uma vida tranquila. "Adoro curtir minha casa, cozinhar, cuidar dos meus netos e fazer exercício físico. Vou quase todos os dias na academia", conta ela, que também sempre procurou cuidar da saúde.

Almeida afirma que todos os anos vai ao médico, faz ultrassom das mamas e mamografia. Porém, não foi possível ignorar o histórico familiar. "Minha avó, tia, pais e irmã mais velha tiveram câncer. Em 2010, em um exame de rotina recebi o diagnóstico do câncer na mama esquerda. Fiz a mastectomia total e cinco anos depois fiz outra na mama direita", revela.

Anos atrás, a dona de casa tinha adquirido uma prótese, mas o material não podia ser molhado, ao contrário do sutiã feito pelo Rotary Rosa de Londrina. "Eu achei o máximo porque dá para entrar na água e ser lavado. Usar esse sutiã foi a melhor sensação. Me senti ótima", desabafa.

Almeida ainda segue em tratamento medicamentoso, movida pelo otimismo. "São dois caminhos: ou você desiste ou enfrenta a doença. Eu resolvi ir para frente. Sei que não é fácil. Quando recebi a notícia, achei que ia morrer e depois da cirurgia, me senti menos mulher, isto é, sem a sensualidade que gostaria de ter. Mas eu aprendi muita coisa e uma delas é que o câncer pode até tirar um colorido da vida, mas sempre vão surgir outras cores", conclui.(M.O.)

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