Com o corre-corre do dia a dia, cada vez mais famílias têm deixado de lado um hábito tão comum anos atrás: o almoço em família. Na contramão dessa mudança, algumas famílias ainda se esforçam para preservar esse momento de união e partilha. O casal Carlos Alexandre Rodrigues, advogado, e Liz Dayane Paludetto Rodrigues, administradora de empresas, não abrem mão de buscar os filhos Vicente, 7, e Clara, 3, na escola para almoçarem juntos. Os locais de trabalho de Carlos e Liz, assim com a escola das crianças, ficam no Centro e a família mora na Vila Operária (Zona Leste).
''Desde que nos casamos, há mais de sete anos, já cultivavamos esse hábito que vem tanto da família dele quanto da minha. Quando chegaram as crianças, fizemos questão de reforçar isso'', conta Liz. ''Esse é um momento só nosso, no qual podemos conversar com as crianças sobre como foi a manhã delas, o que elas fizeram de bom e quais as suas dificuldades'', acrescenta Rodrigues. ''A refeição é algo a mais, o que realmente importa é o estarmos juntos, compartilhando as coisas em família.''
Descontração
Para a psicopedagoga Tayssa Brasil, tem um grande valor para a vida dos filhos os sacrifícios dos pais para passarem esse momento juntos. O bate-papo em família, reforça, pode ser um importante instrumento para o fortalecimento de vínculos.
''Esse é uma excelente oportunidade para troca, principalmente nos dias de hoje, em que os pais trabalham muito o dia todo e acabam atribuindo muitas funções aos funcionários. Essa é uma forma de retomar a proximidade que foi repassada à escola ou ao cuidador'', afirma a psicopedagoga, ressaltando que os pais podem, até mesmo, aproveitar a ocasião de maior descontração para conversar com a criança ou o filho adolescente sobre determinado comportamento que ele teve, sem que o filho se sinta desconfortável ou mesmo pressionado.
Segundo Tayssa, com esse distanciamento entre pais e filhos, devido ao horário ''apertado'', muitos pais acabam não sabendo o que está acontecendo com o filho, qual o desempenho escola ou como está o relacionamento com os amigos. ''Se todos os pais conseguissem separar esse horário para passar com as crianças, mesmo sendo pouco, já seria de extremo valor para ambos'', enfatiza. ''A criança precisa sentir esse acolhimento, independente se é no almoço ou no jantar.''
De acordo com Tayssa, essa é mais uma maneira de reforçar a autoestima da criança. ''Ela sente que os pais se importam com ela. Durante o meu trabalho, vejo a diferença de comportamento entre as crianças que têm a presença marcante dos pais na vida delas e as crianças que não têm isso'', acrescenta. ''Elas não veem a hora do pai ou da mãe chegar para buscá-las. Eles se enchem de alegria para contar que os pais vão vir buscá-las para almoçar em casa'', completa.
''Isso já faz parte da rotina delas e é muito bom para as crianças, principalmente para que elas aprendam a se organizar em relação aos seus horários e compromissos'', acrescenta a especialista. ''Sem contar que a criança vai aprender a gostar de comer o que tem em casa, seja verduras, legumes, carnes etc. Já em um restaurante, existe tantas opções que a criança acaba ficando até mesmo perdida sobre o que comer.''

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