ALL terá que explicar acidentes no PR
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quinta-feira, 07 de dezembro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
A Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias faz hoje em Brasília, às 10 horas, audiência pública para que a América Latina Logística (ALL) explique as causas dos frequentes acidentes com trens no Estado. A ALL tem a concessão para explorar o transporte ferroviário de cargas na Região Sul e em parte de São Paulo.
O autor do requerimento, deputado federal Luciano Pizzato (PFL), diz que depois da privatização no setor, houve retrocesso na manutenção dos equipamentos e nas linhas. Acidentes graves vêm ocorrendo, com consequências alarmantes em perdas de vidas humanas e danos ambientais, disse. Só neste ano, foram registrados 12 descarrilamentos no Estado.
Pizatto afirma que o transporte ferroviário no Brasil está longe de alcançar os objetivos propostos na privatização, como a modernização do setor. A ALL também pode ser obrigada a prestar explicações na Assembléia Legislativa.
O Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge) e o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) encaminharam à Casa pedido de audiência pública.
O diretor do Senge, Raska Rodrigues, justifica que os frequentes acidentes no Estado precisam ser esclarecidos. A ALL tem uma concessão na Argentina que já foi alvo de pedido de cassação no Senado, disse.
Os autores do pedido querem saber se a empresa vem cumprindo o cronograma de investimentos, a manutenção das locomotivas e programas de proteção do patrimônio público e de pessoal.
O Senge tem informações de que engenheiros da ALL estão trabalhando em média 12 horas por dia para deixar o ramal ferroviário em ordem.
Desde a privatização da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), Rodrigues diz que os cortes de profissionais na ALL foram de 45%. Além da falta de pessoal, ele diz que há grande suspeita dos acidentes serem causados pelo projeto SMUG.
O programa consiste na substituição de uma das três locomotivas que descem a Serra do Mar. Em vez de gerar energia, a locomotiva SMUG se movimenta ao captar o excedente da força produzida pelos outros dois trens. Queremos saber se esse projeto está colocando a composição na faixa de risco e não, de segurança.
A gerente de relações corporativas da ALL, Silvana Alcântara, disse que só poderia responder aos questionamentos assim que o convite para participar da audiência pública fosse oficializado.
Quando apresentarem o requerimento, vamos analisar. Se forem dados específicos, eles terão de pleitear as informações junto ao Ministério dos Transportes, que é o órgão fiscalizador, afirmou Silvana.


