ALL tem 18 autuações ambientais em aberto
Curitiba - A empresa América Latina Logística (ALL), concessionária da malha sul brasileira no transporte de cargas por linha férrea, recebeu multas por acidentes ambientais no valor de R$ 6 milhões durante os sete anos de operação no Paraná. Corrigidos, os valores devidos somam R$ 11,1 milhões. Somente neste ano, dois acidentes graves ainda sem valor estabelecido de multa foram registrados no Estado. No dia 19 de julho, 35 vagões de uma composição férrea da ALL caíram da ponte sobre o Rio São João, em plena Serra do Mar, em Morretes, no litoral paranaense. Os vagões que desciam até o Porto de Paranaguá descarrilaram e alguns atingiram o rio, que fica a mais de 50 metros abaixo da ponte.
A composição estava carregada com açúcar, milho e farelo de soja. O acidente feriu um dos principais cartões-postais do Estado. A ponte histórica acabou sendo danificada. O trabalho de reconstrução da ponte demorou cerca de um mês. Todas as viagens pelos trilhos, inclusive as turísticas, tiveram que ser suspensas. Dois dias depois, um novo acidente foi registrado em Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio). Cinco vagões de uma composição tombaram depois do descarrilamento. Quatro deles transportavam álcool e o outro, farelo de soja.
Segundo o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), desde o ano de 2000 o órgão estadual já lavrou 28 multas contra a ALL no valor total de R$ 12,5 milhões por acidentes ambientais. Desses processos, dez foram pagos e 18 ainda estão em andamento. O total arrecadado com a aplicação de multas pelo IAP entre janeiro de 2002 e agosto de 2004 é praticamente o mesmo do valor da dívida da convessionária com o órgão ambiental.
Uma das maiores multas aplicadas até agora pelo IAP contra a ALL foi em setembro de 2000, quando a concessionária foi multada em R$ 2,4 milhões por causa do vazamento de derivados de petróleo no riacho Caninana, em Morretes. A segunda multa mais alta, de R$ 1,5 milhão, foi lavrada em maio de 2004, devido ao derramamento de soja em cinco rios na região da Serra do Mar. Nenhuma destas autuações teriam sido pagas até agora. Os valores estipulados pelo órgão são referentes a estimativas dos gastos necessários para deixar as regiões afetadas por acidentes ambientais em condições iguais às anteriores aos problemas. Quando a empresa se antecipa e resolve os problemas ambientais, o valor é reduzido. (L.P.)





