Pacientes do Hospital do Câncer de Londrina (HCL) sem possibilidade terapêutica de cura poderão ser cuidados em casa. A instituição lançou ontem o programa de Atendimento Domiciliar, cuja proposta é oferecer uma equipe especializada para atender em domicílio os pacientes em estágio paliativo da doença. A iniciativa, além de humanizar os cuidados com essas pessoas, também vai liberar leitos do hospital para pacientes que necessitam de internação.
O idealizador do programa é o médico Luis Fernando Rodrigues, que também integra a equipe de cuidados paliativos oncológicos formada ainda por enfermeira, assistente social, psicóloga, nutricionista, fisioterapeuta e fonoaudióloga. ''Vamos atender pacientes que não podem ser curados, mas podem e devem ser cuidados'', defende.
Segundo ele, 50% dos casos de câncer diagnosticados no Brasil já estão em fase avançada, sem possibilidade de cura. ''O foco do cuidado paliativo é o alívio e a prevenção do sofrimento e a melhoria da qualidade de vida'', diz.
Muitas vezes, os familiares de pacientes em estágio paliativo procuram o hospital por não terem segurança para lidar com os sintomas. ''Quando uma equipe se compromete a atender em casa, todos ficam mais seguros. Além disso, o atendimento é mais humano, pois naquele momento toda a atenção do profissional é focada no paciente'', afirma.
O médico ressalta que o atendimento domiciliar, além da função humanizadora, também otimiza a utilização dos leitos hospitalares e reduz o número de reinternações. O serviço só é oferecido quando há desejo do paciente e anuência da família. Antes de recomendar a transferência da pessoa para a residência, os profissionais avaliam se há cuidadores disponíveis e se o domicílio oferece condições para a permanência do doente.
O diretor-presidente do Hospital do Câncer, Nelson Dequech, afirmou que a instalação do atendimento domiciliar seria impossível anos atrás, quando as prioridades do hospital eram outras. ''Agora será possível atender em casa os pacientes que não respondem mais ao tratamento. É desumando mantê-los confinados em um hospital'', defende.
Antônio Amarante Neto, presidente do Conselho Deliberativo do HCL, lembrou que o serviço vai liberar leitos de internação para pacientes que necessitam de tratamento no hospital. Atualmente, a instituição oferece 128 leitos, 80% deles com ocupação permanente. São realizados em média 900 procedimentos por dia, entre atendimentos ambulatoriais e a pacientes internados.
De acordo com Luis Fernando Rodrigues, a equipe de atendimento domiciliar espera atender 20 pacientes por mês até dezembro deste ano. Outras expectativas são reduzir o índice da taxa de reinternação e fazer com que o número de mortes em domicílio seja maior que os óbitos no hospital.

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