Alistamento - Procura é maior que número de vagas
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quinta-feira, 29 de abril de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Contrariando o senso comum de que os adolescentes fogem do serviço militar obrigatório, o Tiro de Guerra (TG) londrinense recebe anualmente cerca de quatro mil candidatos para as 200 vagas de atirador. O delegado regional do Serviço Militar em Londrina, tenente Darci Nahorni, garante que pelo menos 40% desses jovens se oferecem como voluntários, na tentativa de seguir carreira no Exército. O prazo para que jovens que completam 18 anos em 2004 se alistem na Junta Militar temina hoje.
Alistados em Londrina servem somente no Tiro de Guerra (TG) da cidade. Mas, até 1998, alguns atiradores eram encaminhados aos batalhões de Apucarana (Centro-Norte do Estado) ou mesmo para Brasília (DF). O excesso de contingente atual, segundo o tenente Darci, não permite mais esse redirecionamento. ''Da mesma forma que a procura aqui em Londrina é muito maior que a demanda, Apucarana e Brasília enfrentam a mesma peculiaridade'', afirma.
O estudante Anderson Calejon, 17 anos, é um exemplo de jovem que se oferece ao serviço militar voluntariamente. ''Sempre sonhei em servir ao Exército'', conta. Do outro lado, estão pessoas como Alex da Silva Constantino, 17 anos, que vê o serviço militar obrigatório como uma chata obrigação. ''Não tenho nenhuma vontade em servir'', diz.
A rotina dos atiradores, no entanto, é encarada por tranquilidade pelos jovens que atualmente servem ao TG de Londrina. É o caso de Fabricio Cazarin, 18 anos, estudante que só reclama de ter que acordar mais cedo que de costume. ''Aprendemos a manejar rifles, convivemos com os colegas, é legal. O único problema é levantar às cinco da manhã'', diz.
No TG de Londrina o processo de seleção envolve entrevista, exame médico e até sorteio entre os pré-selecionados. As obrigações dos atiradores, segundo o tenente Darci, vão desde o auxílio em eventos de cunho social promovidos pela prefeitura, como ajuda em campanhas de vacinação, até a defesa de pontos considerados sensíveis pelo comando do Exército, como o aeroporto ou caixas d'água.
O não comparecimento à Junta Militar para alistamento pode render dores de cabeça, segundo o tenente Darci. ''A falta do certificado de reservista impede a pessoa de prestar concursos, prestar vestibulares, conseguir empregos, retirar o título de eleitor e passaportes'', explica. ''Mas não há nada de complicado em se alistar. Mesmo quem não o fez quando deveria pode vir tranquilamente ao TG e regularizar sua situação'', diz.


