Alimentos em excesso: vício ou hábito?
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Há quem não consiga passar o dia sem tomar refrigerante ou quem afirme que realmente precisa comer chocolate sempre após as refeições. Outras pessoas não se sentem dispostas pela manhã antes de tomar uma xícara de café. Será que os alimentos realmente viciam ou os hábitos alimentares se tornam tão fortes a ponto de comandar a rotina de uma pessoa?
De acordo com a nutricionista clínica Valéria Mortara, de Londrina, há muita controvérsia. ''Embora existam correntes que defendem o vício por certos alimentos, esta tese não é aceita por toda a comunidade científica. Para ser considerado vício tem que ter dependência química e só identificamos isso em relação à cafeína'', explicou.
''É uma substância psicoativa que age como estimulante . Além do café, o pó de guaraná e os chás verde e preto possuem cafeína'', disse a nutricionista. Ela lembrou que algumas pessoas possuem sintomas físicos se não ingerirem uma quantidade mínima diariamente.
O vício é considerado uma doença psiquiátrica e, conforme a nutricionista, não é possível identificar a dependência por este ou aquele alimento. ''Ninguém vai ter crise de abstinência se deixar de consumir determinado alimento'', justificou.
Segundo ela, o açúcar é o alimento mais estudado em relação ao vício. ''Mas sou do grupo que acredita que esta é uma questão de hábito'', destacou. Valéria disse que quem come muito doce pode se acostumar a ter um certo nível de açúcar no sangue. ''Mas é um hábito adquirido, a grande maioria das coisas referentes ao corpo é uma questão de escolha''.
Para a nutricionista, um vício relacionado a alimentação é a compulsão. ''Existe o exagero na quantidade de comida, esta é uma doença psíquica e catalogada.'' Se a pessoa é viciada em grandes quantidades de alimentos não adianta procurar somente um nutricionista; nesse caso o acompanhamento psicológico é fundamental.
Emoção
O hábito alimentar que começa a ser desenvolvido desde a infância está diretamente relacionado às preferências de alimentos do adulto. ''Geralmente está ligado ao hábito alimentar da mãe, porque na maioria das vezes é ela quem faz as compras e prepara os alimentos para a família'', justificou.
''A dieta ruim pode estar relacionada ao consumo frequente de certos alimentos. Quando faltam alguns nutrientes o corpo pede, mas a emoção também pede determinados alimentos. Se a pessoa tem uma alimentação balanceada, vai ficar claro que aquela vontade desesperada de comer alguma coisa está sendo enviada pela emoção'', destacou Valéria. Ela orientou que se a pessoa estiver se alimentado mal o ideal é procurar um profissional; e se as emoções estiverem comandando a dieta também é importante procurar um psicólogo.
O consumo de alimentos motivado pelo estresse faz sentido, porque ele abre um vazio emocional. No caso da tensão pré-menstrual, ela explicou que a necessidade de consumir mais doce é química. ''O corpo sente necessidade de uma substância chamada triptofano, que também pode ser conseguida com o consumo de outros alimentos além do chocolate, como a banana. A hidratação é importante nesta fase e pode ajudar a combater a irritação''.
Chocolate
Muito se fala a respeito dos hormônios ligados à sensação de prazer relacionados ao consumo de chocolate. ''A endorfina que o organismo libera após o consumo de chocolate é a mesma liberada após uma caminhada ou qualquer outra atividade física'', afirmou. ''O chocolate possui cafeína mas é uma quantidade muito pequena para causar um vício''.
Para ter uma alimentação saudável, segundo ela, não é preciso deixar de consumir este ou aquele alimento, desde que seja feito com moderação. Ela explicou que o ideal é fugir dos hábitos que favorecem o consumo de alimentos pouco saudáveis. ''A primeira coisa é tirar da cabeça a palavra vício. Ela funciona como uma desculpa para continuar mantendo o comportamento inadequado.''


