CMEI Marízia Carli Loures: 70% das necessidades nutricionais dos alunos são supridas na escola
CMEI Marízia Carli Loures: 70% das necessidades nutricionais dos alunos são supridas na escola | Foto: Saulo Ohara



Arroz, feijão, carne, salada e fruta. O cardápio padrão das escolas de educação infantil e fundamental em Londrina tem a maior parte dos nutrientes que as crianças precisam consumir diariamente e é essencial para estabelecer hábitos alimentares saudáveis.

Essa combinação é ainda mais rica quando se tem produtos frescos e naturais, além da quantidade adequada de sal, açúcar e óleo. O problema é estender esse comportamento para a casa dos alunos. "Toda segunda-feira a gente percebe uma certa recusa das crianças na hora de comer os legumes, as frutas. Alguns acabam chorando na hora da refeição, outros têm cólica, por exemplo. Tudo isso é um reflexo do consumo de guloseimas do final de semana. Isso é nítido para nós", comenta Emanuele Serrano Arruda, diretora do CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) Marízia Carli Loures, no jardim Santiago (zona oeste).

Esse foi um dos pontos de partida para a escola firmar uma parceria com a UBS (Unidade Básica de Saúde) Santiago e, uma vez por mês, convidar pais e responsáveis para participarem de palestras sobre diferentes temas. O CMEI conta com 170 alunos, de 0 a 5 anos. "Resolvemos começar o ano com uma conversa sobre alimentação saudável. Para você ter uma ideia é comum os pais darem doces para as crianças no portão da escola como uma recompensa pelo bom comportamento", revelou Arruda.

A nutricionista Franciele Carvalho de Souza, do Nasf (Núcleo de Apoio à Saúde da Família), falou na palestra sobre a importância de não vincular o doce como uma recompensa, até porque cria uma percepção na criança de que a escola é um lugar ruim. Ela também esclareceu que 70% das necessidades nutricionais dos alunos são supridas na escola e que, por isso, nem sempre é necessário oferecer uma outra refeição ou outros alimentos ao chegar em casa.

"É importante lembrar que filhos de pais que comem mal vão comer mal. A dica é optar sempre por alimentos naturais, preferencialmente os de época, pois são mais baratos e frescos, além de não comprar guloseimas se a ideia é criar hábitos saudáveis na criança. Se tem doce ou alimento industrializado em casa eles serão consumidos", afirma. Sobre a seletividade alimentar, Souza ressalta que a partir do momento que o alimento industrializado é cortado do cardápio, os in natura vão ganhando espaço e gosto.

Na casa da dona de casa Luana dos Santos, a alimentação saudável tem sido uma prioridade. "Meu marido teve um problema no estômago e tivemos que mudar a alimentação. Mas a gente também sabia que era importante oferecer bons alimentos ao Davi. A escola tem ajudado muito nisso e tem dado certo, pois ele não consome muito açúcar e é uma criança que come bem legumes, verduras e frutas", diz Santos, mãe de Davi, 2.

FAIXA ETÁRIA
De acordo com a diretora do CMEI, no momento em que a quantidade de açúcar, sal e óleo foi adequada com rigor na merenda escolar, o índice de rejeição aumentou em torno de 30%. "A gente teve uma aumento na recusa nos primeiros dias, mas era parte do processo, pois logo os alunos aceitaram tudo. Isso demonstra o quanto a alimentação é uma questão de hábito", aponta.

A nutricionista da rede municipal, Renata Freitas Albieri, explica que o papel da escola na educação alimentar é essencial. "Ela forma os hábitos alimentares na faixa de 0 aos 7,8 anos. Nessa fase, a criança está formando o paladar e ao consumir alimentos saudáveis, vai aprendendo a incorporar isso na rotina, refletindo inclusive em casa, com toda a família", diz a responsável técnica pela alimentação escolar.

Para a elaboração do cardápio, a nutricionista explica que são respeitadas a faixa etária dos alunos e a localidade da escola. "Tem crianças que almoçam e jantam na escola, tem outras que é preciso oferecer o desjejum, pois moram muito longe da escola. Enfim, há especificidades consideradas na montagem das refeições", destaca Albieri.

Capacitação para cozinheiras

A gerente de Alimentação Escolar da secretaria municipal de Educação, Mayra Agelune, diz que boa parte dos alimentos destinados às crianças é de produtores locais e da região. Isso atende uma resolução do Programa Nacional de Alimentação Escolar, resultando em produtos mais frescos, além de um estímulo à economia local.

Ela diz ainda que o município desenvolve junto à empresa prestadora de serviços à rede de educação em Londrina um projeto de capacitação teórica e prática para 293 cozinheiras, 25 lactaristas e 18 técnicas de nutrição que atuam nas 120 unidades escolares (escolas e CMEIs). "Além de comprarmos os produtos nas quantidades ideais, precisamos ensinar as pessoas a utilizarem de forma correta o sal, óleo e açúcar. São profissionais que já têm treinamento e seguem o manual de boas práticas, mas que tiveram um apoio maior no final do ano passado", comenta.

Em 2017, a rede municipal de ensino serviu cerca de 14 milhões de merendas. Diariamente, foram ofertadas em média, 60 mil refeições a 43 mil alunos. Todos têm o direito de repetirem a merenda.

mockup