Falta de apetite e recusa à ingestão de água. Após os 65 anos de idade, é comum ouvirmos idosos reclamando que já não sentem prazer em se alimentar. Comendo menos, eles perdem peso e também a imunidade, abrindo brechas para o surgimento de várias doenças, como gripes e pneumonias. Uma forma de reverter a situação é atrair a atenção do idoso para os alimentos.
É o que explica a coordenadora interina da Saúde do Idoso, do Ministério da Saúde, Elen Pernin. Para ela, não basta que a família ou cuidadores insistam para que eles comam e sim prestem muita atenção na preparação de refeições que despertem a sua curiosidade, visto que a perda do apetite pode estar relacionada diretamente às mudanças fisiológicas decorrentes do envelhecimento como: perdas dos sentidos auditivos, olfativos e até gustativo.
''Existe o que a gente chama de dez passos para uma alimentação saudável e para o idoso ela é adaptada para que chame a atenção dele mesmo. As refeições devem ser atrativas, saborosas e não completamente diferente do que comia quando era jovem'', destaca a médica, salientando que, nessa fase, é fundamental que tanto o idoso quanto a família prestem muita atenção no consumo de sal em excesso, açúcar e gordura.
''Além disso é importante estimulá-lo a tomar banhos de sol, ingerir leite e queijos'', recomenda a especialista. Ingerir leite e queijo não agrada em nada o paladar da dona de casa Maria José, 70 anos, de Londrina. Ela conta que apesar de se alimentar muito bem, consumindo legumes, frutas e verduras, evita ao máximo ingerir leite, queijo e ovos, pois esses alimentos não seriam bem aceitos por seu organismo.
''Eu sei que é importante, pois são fontes de cálcio, mas não vai. Desde que operei para tratar uma úlcera no estômago há 25 anos, comecei a tirar da minha alimentação o que eu mesma percebia que me fazia mal'', ressalta Maria José. ''A minha filha fala para eu procurar uma nutricionista, mas eu sei o que faz bem pra mim ou não'', acrescenta.
A dona de casa Hermínia Pietrobon de Souza, 81 anos, conta que, morando sozinha após a morte do marido, já não tem muito ânimo para cozinhar em casa e acaba comendo em restaurantes self-service. Isso exige uma seleção maior do que vai comer, pois não pode consumir nada muito temperado. ''Tenho que evitar ao máximo a ingestão de sal para não subir a pressão, o que é não é nada bom, porque as refeições ficam bem sem gosto'', opina.
Além dos cuidados citados, a médica Elen Pernin orienta que é fundamental que os idosos estejam atentos também à ingestão de líquidos, principalmente água, já que nessa idade eles deixam de ingeri-la com tanta frequência.
O aposentado Hilário Batista, 67 anos, confirma que já não sente tanta sede como na juventude e que isso piora com a chegada dos meses mais frios do ano. ''Não sinto vontade de tomar água com esse friozinho, então nem lembro.''
Já se o assunto é preparar um delicioso almoço, Hilário afirma que é com ele mesmo. ''Sempre gostei de cozinhar e acho que cozinho bem a comida do dia a dia, só não peça para eu inventar que não é comigo. Comida boa pra mim é arroz, feijão, bifinho e salada'', acrescenta.
Para Elen Perin, embora alguns idosos sintam apetite mesmo se alimentando sem companhia, a convivência familiar é uma grande aliada. ''É preciso que ele não se sinta só, que sinta que é importante, que está participando desse processo. Eu acho que a família e o cuidador têm um papel fundamental nessa preparação do cardápio''. (Com informações da Agência Saúde)

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