Alimentação combate radicais livres
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de setembro de 1998
Benê Bianchi 
O excesso de radicais livres no organismo é tido como um grande vilão. E é. Afinal, eles causam morte e consequente envelhecimento das células e tudo o mais que resulta deste processo. A preocupação é tanta que não faltam receitas para combatê-los.
A boa alimentação, no entanto, aliada a exercícios físicos, é a receita ideal para mantê-los em equilíbrio em nosso corpo. A orientação é da nutricionista Valéria Cristina Provenza Paschoal, que ministrou aula inaugural para o curso de nutrição da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina, na tarde de quinta-feira, quando abordou o tema Nutrição e qualidade de vida.
Antes de falar dos males causados pelos radicais livres, Valéria ressalta que eles não são nada mais que substâncias que se formam em nosso organismo desde o momento em que nascemos. De 2% a 5% do oxigênio que respiramos se convertem em radicais livres. É um processo importantíssimo e normal, inclusive, para gerar energia para trabalharmos, corrermos etc.
O problema é quando há formação em excesso. Aí então ocorrerá um desequilíbrio no organismo e ele passará a ter ações prejudiciais. Além da morte celular, os radicais livres em grande quantidade provocam mudança no DNA, podendo causar câncer; e pode atuar nas artérias, diminuindo o seu calibre e fazendo surgir as doenças coronarianas.
Alguns hábitos e situações que provocam o aumento em demasia da substância no organismo humano. A primeira delas, de acordo com Valéria, é o hábito de fumar, o que não se restringe apenas aos fumantes, mas também aos chamados fumantes passivos. Na fumaça há um metal tóxico, o cádmio, que é prejudicial, cita a nutricionista.
O cádmio é encontrado também no ar de cidades muito poluídas, com muitas indústrias e grande tráfego de veículos. Alguns utensílios domésticos também entram na relação dos nada recomendáveis. As panelas consideradas ideais são as de vidro, por não passarem resíduos tóxicos aos alimentos. Lavar constantemente panela de alumínio com esponja de aço é outro hábito ruim, assim como o uso constante de papel alumínio para embalar ou assar alimentos.
Verduras e legumes que precisam de muito agrotóxico na produção devem ser riscadas do cardápio. Elas apresentam contaminação por mercúrio. Valéria Paschoal concorda que a batata, o morango e a uva itália podem ser excluídas da alimentação - como foi indicado pelo agrônomo do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Armênio Khatounian (ver matéria na página 2). Mas ela orienta a manter o tomate na mesa, ao contrário do que prega o agrônomo. O tomate tem o licopeno, que é um antioxidante mais eficaz que o betacaroteno, justifica.
Existem ainda muitas outras fontes que contribuem para o aumento de radicais livres. A margarina, quando de consistência mais dura, é uma delas. Segundo Valéria, no processo de hidrogenização do óleo vegetal ocorre a formação de uma gordura modificada que aumentará, no fígado, a produção de colesterol. Ainda para o processo de hidrogenização é utilizado o níquel, outro metal tóxico bom para a formação de radicais livres.
O uso frequente de frituras não fica atrás. O aquecimento excessivo do óleo, além de deixá-lo saturado e aumentar os riscos de doenças coronarianas, aumenta a formação de radicais livres, contribuindo na destruição da membrana celular. Quem usa suplementos multivitamínicos, com quantidades excessivas de ferro e cobre não pode deixar, segundo Valéria, de pedir orientação a um médico ou nutricionista.
Para os que acham que só porque fazem um exercício físico no final de semana podem dormir tranquilos, a nutricionista manda um recado: Exercício feito de maneira intensa, concentrado num único dia da semana, é pior do que não fazer nada.
A nutricionista orienta ainda a utilizar o forno microondas de forma adequada para não acelerar a formação de radicais livres. No microondas, o aquecimento dos alimentos é feito por vibração das moléculas. Para que elas se reequilibrem, é preciso esperar um tempo semelhante ao aquecimento para ingerir o alimento.
Quando o prato é totalmente preparado no microondas, o correto é também deixá-lo descansar pelo mesmo período de tempo do preparo - para que a comida não seja ingerida fria, a nutricionista orienta a aquecer o prato antes de servir e deixá-lo descansar. Para esquentar é mais rápido e o alimento não irá esfriar até ir para a mesa.
A solução para evitar o excesso das tais substâncias indesejadas é comer corretamente. A alimentação é a melhor forma para evitar a formação dos radicais livres. Nos alimentos naturais existem substâncias fitoquímicas, além de vitaminas e minerais, que vão aumentar ainda mais a defesa antioxidante do organismo. O mesmo não ocorre com vitaminas sintéticas, ingeridas isoladamente.


