Flavia de Souza depende do transporte coletivo para ir ao serviço. Todos os dias ela espera pelo circular que sai do Terminal Urbano Central de Londrina para levá-la de volta para casa. Repetindo esta rotina há oito meses ela garante não ter medo de frequentar o local. ''Nunca presenciei nada de diferente no Terminal e nem na rua de acesso'', disse. Como ela, a promotora de vendas Vanessa Alves Monteiro Oliveira nunca foi assaltada dentro do Terminal Urbano Central, por onde passa durante o dia e às vezes à noite.
Curiosamente, as duas passageiras nunca se deram conta de que a recente tranquilidade do Terminal está diretamente ligada à instalação das câmeras de segurança, que completou um ano neste mês. Apenas Flavia já havia reparado nos vigilantes que circulam pelas plataformas. Já Vanessa ficou sabendo da existência dos equipamentos pela reportagem. ''Acho bom'', opinou.
Segundo o chefe da segurança particular do Terminal, Dejalma Antônio Santos, desde que as 56 câmeras foram instaladas, o número de ocorrências caiu 90%. ''Os demais casos são ocorrências preventivas em que os seguranças identificam o problema, abordam o cidadão e encaminham para a polícia'', informou Santos, lembrando que há dois meses foi detido um batedor de carteira. ''Ele não era de Londrina e não sabia do monitoramento'', completou o chefe da segurança.
Segundo o coordenador de Transporte Coletivo da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson de Jesus, toda a parte interna do Terminal é monitorada 24 horas por dia. As imagens captadas são transmitidas por seis quilômetros de cabos até a central de monitoramento, instalada em uma sala no piso intermediário, onde também funciona o posto da Polícia Militar. Ao todo, cinco seguranças particulares circulam pelas plataformas, auxiliados por dois policiais militares. ''Os banheiros são os únicos locais onde não há câmeras, mas ainda assim são monitorados. Não vamos instalar o equipamento no banheiro pois não queremos misturar privilégio de segurança com invasão de privacidade.''
Conforme ele, o dinheiro que antes era gasto para cobrir os prejuízos do vandalismo - cerca de R$ 400 mensais -, hoje é aplicado na melhoria não só do Terminal Urbano Central como de outros terminais da cidade.
Nicho de mercado
O bom resultado do uso das câmeras de vigilância no Terminal é apenas um exemplo da funcionalidade do equipamento. Londrina e outras cidades paranaenses, como Curitiba, Ponta Grossa e São José dos Pinhais, têm apostado no monitoramento por vídeo para diminuir a criminalidade. Paulo Cezar Bolotaro, dono de uma empresa que faz vigilância privada em Londrina há seis anos, resolveu apostar num nicho de mercado que, segundo ele, vem crescendo há dois anos: licitações públicas.
Conforme Bolotaro, responsável pela instalação das 32 câmeras que monitoram toda Londrina, cidades com população a partir de 100 mil habitantes são as que mais têm requisitado os serviços dos videovigias. Este ano, a empresa londrinense venceu o processo licitatório em Apucarana e iniciou este mês a instalação de câmeras. ''Onde é instalada, a câmera contribui para a redução do índice de criminalidade, pois coíbe a ação dos marginais. Tem caráter preventivo'', assegurou o empresário.
''Foram escolhidos, com o auxílio das polícias Civil e Militar, 26 locais na Área Central e em lugares de maior aglomeração de pessoas, além de possíveis rotas de fuga e entradas principais do município'', citou o coordenador de implantação do sistema de monitoramento de segurança do município, José Luis Alves Miguel.
''Já está sendo finalizado o centro de controle operacional, que foi construído próximo ao módulo policial do Centro e também a fixação dos postes, que terão 12 metros de altura, para evitar vandalismo'', disse Miguel. O contrato prevê ainda o treinamento da guarda municipal, que será responsável pela operação dos equipamentos, e a manutenção das câmeras durante um ano.

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