A dedicação é uma qualidade comum aos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Não há frio, chuva ou medo da violência que os afaste das salas de aula. E a idade também não é empecilho. A prova é a presença constante da lavradora aposentada Carmelita Maria de Souza Hilário, 82 anos.
Motivada pela vontade de ler a Bíblia, a evangélica conta que já consegue ler algumas palavras - ''é maravilhoso'' - e assinar o próprio nome. Reconhece as dificuldades, como a visão deteriorada, mas não demonstra cansaço. ''Não falto à aula. Só por doença'', garante.
A paulista de Cravinhos conta que nenhuma das 14 irmãs estudou porque o pai achava que, se aprendessem, seria ''só para escrever cartas para os namorados.'' E a principal vantagem, na avaliação dela, é não ser feito de bobo dos outros. ''Quem não sabe ler nem escrever nada é como se fosse cego. A gente vê a palavra mas não sabe o que significa'', lamenta.
Carmelita Hilário é a aluna mais velha da turma do varredor Manoel Shinaider, 37, também morador do São Jorge. Filho de um lavrador e de uma dona-de-casa, ele sempre trabalhou na roça e não teve oportunidade de estudar. Mas a dificuldade para arrumar um bom emprego o levou de volta ao quadro-negro.
''Quem não estuda não tem opções, leva uma vida muito sofrida. O mercado de trabalho é muito exigente'', afirma Shinaider.
Assim como a fala, os sonhos dele são simples. Ele quer ter a oportunidade de fazer um curso básico de computação, que pode ajudá-lo a arrumar um emprego de qualidade. (F.R.F.)

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