O instinto de proteção foi o que fez as três mães localizarem os adolescentes e os conduzirem de volta ao Cense I. Por conta própria, elas foram até o sítio localizado a quase 100 km de Londrina para buscar os garotos, todos usuários de drogas. ''Só depois de dois dias é que fiquei sabendo que meu filho fugiu, quando ele entrou em contato por telefone. Convenci-o a me contar onde ele e os colegas estavam e fui até lá. Atravessei lamaçal e matagal para achá-los. Na rua, acabariam morrendo'', comentou uma das mães.

Os três garotos cumprem medida socioeducativa por furto, mas dizem que já roubaram à mão armada. ''Já fiz todo tipo de assalto, usando armas de vários calibres'', ressaltou um deles. ''Já saí para roubar muito louco, drogado, para matar ou morrer'', completou outro. Questionados sobre planos para o futuro, nenhum deles quis arriscar um prognóstico. Apenas o mais novo disse que quer largar as drogas e voltar a estudar.

Um dos rapazes de 17 anos vive entre o Cense e clínicas de recuperação de dependentes de drogas desde os 12 anos. ''Muitos falam que a culpa é dos pais, mas já fizemos tudo o que podia ser feito. Porém, eles não encontram oportunidade. A sociedade não permite nem que eles trabalhem'', lamentou uma das mães. Entregar os filhos à promotora foi a forma de elas garantirem que seus filhos não sofreriam represálias pela fuga dentro do Cense. ''Não há motivo para essa preocupação. O Cense é o local apropriado, onde as medidas socioeducativas, no sentido pedagógico e educativo, são cumpridas'', garantiu a promotora.

Ao final, só restou às mães enxugarem as lágrimas ao verem as algemas sendo fechadas pelo policial que foi até o Fórum cumprir o mandado de busca e apreensão que pesava contra os adolescentes. (W.S.)

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