Alfabetização por computador atrai jovens e adultos
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quinta-feira, 03 de outubro de 2002
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
As letras estão deixando de ser um mistério para a dona de casa Mariza Pereira, de 43 anos, e ganhando significado. Ela é uma dos cerca de mil jovens e adultos beneficiados com a inauguração, ontem, em Londrina, de sete núcleos de ensino de informática e alfabetização por meio digital. Além do Jardim Marabá (zona leste), onde aconteceu a inauguração, há núcleos no Conjunto Maria Cecília e Conjunto João Paz (zona norte), no Jardim Santiago e Jardim do Sol (zona oeste), na Vila Yara (zona leste) e na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL).
A Sercomtel, que patrocina os núcleos, contribuiu com a doação de 80 computadores e 10 impressoras, avaliados em cerca de R$ 35 mil. A previsão da empresa é disponibilizar mais quatro unidades nos próximos meses. Nos núcleos, jovens e adultos participam dos projetos Comunidade Informática, com ensino de informática básica e avançada, e Luz das Letras, criado pela Copel para a alfabetização de adultos através do computador. Segundo o coordenador de responsabilidade social da Sercomtel, Paulo Magno, a empresa deve participar por dois anos do projeto. ''Esperamos que após esse período haja sustentabilidade nos núcleos para que os mesmos possam se autogerir'', disse.
Para Mariza é a oportunidade de realizar sonhos e vencer dificuldades. Sem saber ler, sempre dependeu da ajuda de outros para fazer atividades simples, como pegar um ônibus, fazer compras no mercado, achar o endereço do médico, dar o remédio certo para os filhos ou ajudá-los com a tarefa da escola. Quem já teve vergonha por não saber ler, agora conta sua história de maneira diferente: ''Tinha oito anos quando meu pai morreu, a gente morava na roça e minha mãe nunca me mandou para a escola. Casei com 15 e achava que para arrumar a casa não precisava saber ler. Agora, com 43, acho que ainda posso ter uma oportunidade. É tanto sonho, mas o principal é trabalhar''.
De acordo com a coordenadora regional do projeto Luz das Letras, Fabiana Vieira Reis, a alfabetização se completa num período de um a dois anos, respeitando o ritmo de cada aluno. ''A alfabetização por meio digital também desmistifica a figura do computador, que às vezes 'assusta' as pessoas'', disse.
Para a dona de casa, o computador não foi problema. ''Nunca tinha nem chegado perto de um, mas já aprendi um monte de letrinha'', disse. E as ''letrinhas'' a que ela se refere já formam seu nome, Mariza.


