Alfabetização de adultos retoma aulas hoje
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
As noites do pedreiro Antonio José Luciano, 45, tiveram a rotina radicalmente modificada nos últimos seis meses. Depois de 30 anos longe da escola, ele retomou os estudos. As aulas são na Escola Municipal David Dequech, no Parque Ouro Verde (Zona Norte de Londrina). A exemplo de Antonio José, cerca de 2.400 estudantes foram atendidos pelo programa de alfabetização Ensino de Jovens e Adultos (EJA), mantido pela administração municipal, no ano passado.
Ele conta que foi incentivado pelo irmão Erisseu João Luciano, 39, que havia voltado para a escola um ano atrás. Aplicado, garante que só perde aula em dia de chuva. ''No começo quebrei a ponta de um monte de lápis de tanto forçar no caderno. Agora estou indo bem. Ler e escrever não é tão difícil'', atestou Antonio José, que considera a matemática o maior obstáculo. Com orgulho, ele revela que as aulas já tiveram resultado prático. Agora, não precisa mais de ajuda para calcular o valor do serviço por metro quadrado.
Para este ano, a Secretaria Municipal de Educação está criando 15 turmas, totalizando 375 novas vagas. Os estudantes fazem de 1 a 4 série do Ensino Fundamental, em 91 turmas divididas em 42 escolas municipais na área rural (6) e urbana (36). Para a gerente do EJA, Elaine Fátima de Souza Carvalho, este é um dos fatores responsáveis pelo sucesso do EJA: estar espalhado por toda a cidade. ''A evasão é assustadora. O preconceito em admitir o analfabetismo também atrapalha''.
A média histórica de desistência varia de 20% a 30%. As matrículas estão permanentemente abertas. O interessado pode procurar a escola municipal mais próxima ou obter informações pelo telefone 3372-4096.
A maior parte dos alunos do EJA tem entre 40 e 50 anos, mas a idade mínima é 14. O público-alvo é o mesmo do projeto Alfabetizando Londrina, de iniciativa do Governo Federal, que atende média de 2 mil pessoas por ano. De acordo com o Censo Populacional de 2.000, Londrina tem cerca de 23 mil analfabetos. Elaine acredita que o número é ainda maior, por causa do crescimento da Cidade.
Os 120 professores do EJA já voltaram ao trabalho para preparar as aulas. Izildinha Tereza Triani Domingues, 50, atua ensina jovens e adultos há 11 anos. Para ela, os resultados podem ser considerados bons porque superam o objetivo da alfabetização. ''Há a socialização entre os alunos. Também temos aulas de artesanato que podem significar fonte de renda para eles'', destacou. ''As aulas são adequadas à realidade deles. Muitos vão para a escola falar dos problemas. A relação de amizade entre alunos e professor é muito grande. É muito gratificante''.


