Alexandre tem sequelas, mas diz que é feliz
O soldado Claudineu de Souza Alexandre, 28 anos, entra na sala do comando com uma bengala de taquara na mão esquerda. Manca um pouco, mas sorri. Apesar dos olhos denunciarem sua lástima, ele diz não se arrepender da abordagem que insistiu em fazer no dia 11 de setembro de 1998, um sábado, às 4 horas da madrugada. Ele e um colega encostaram na parede três homens que caminhavam por uma rua estreita e escura. Haviam sido denunciados por um comerciante. Na frente dos três, andavam duas mulheres e outro homem, que saiu correndo.
Enquanto o colega alcançava o quarto homem e as mulheres, Alexandre cuidava dos três. Nem viu de onde veio o primeiro tiro. Atingiu minha perna e eu cai, conta. Havia um quinto homem. Os outros três balaços vieram de frente, a poucos metros de distância. Era um dos três acusados, que já não estavam mais encostados na parede. Alexandre rolava pelo chão e levava tiros. Os marginais miravam por entre o colete. Dois projéteis ultrapassaram a barriga. O quarto acertou a nádega.
O soldado disparou um tiro de escopeta e os acusados fugiram. Um deles, porém, foi atingido. Foi a um posto de saúde e fez um guarda de refém. O colega de Alexandre foi atrás. Trocou tiros e matou o marginal, depois identificado como o assaltante conhecido por Carioca. Duas cirurgias, meses de tratamento e a vida mudada pelas sequelas que ainda sente. No entanto, Alexandre se diz feliz. Vejo as marcas e fico alegre por estar vivo. Sem arrependimentos.





