Alexandre Frare, filho do empresário assassinado Ciro Frare, 67, prestou depoimento ontem ao delegado-chefe do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) em Curitiba, Marcus Vinícius Michelotto. De acordo com o advogado da família, Marcelo Marques Munhoz, Alexandre depôs durante cerca de duas horas e revelou detalhes que, na opinião dele, devem ajudar a comprovar a premeditação do crime, cometido no interior da Concessionária Cipasa, no último dia 24, pelo diretor da empresa e autor confesso, Ibrain José Barbino, 55. Frare era dono da concessionária.
Alexandre antecipou o depoimento, marcado inicialmente para hoje porque, segundo o advogado, irá viajar hoje. Ele foi ouvido através de carta precatória, que agora será encaminhado ao delegado Marcos Belinati, de Londrina, que preside o inquérito sobre o assassinato.
Um dos detalhes que provaria a premeditação, segundo o advogado, é uma conversa que Alexandre teve com o pai, por telefone, na noite anterior ao crime. ''Nesse telefonema, Ciro disse ao filho que havia falado com o Ibrain sobre a reunião da manhã seguinte e o assunto tratado, ou seja, supostas irregularidades nas contas da concessionária'', disse. O advogado afirmou ainda que entrou com uma ação de reparação por danos morais e materiais no Fórum de Curitiba. ''Morais pelo sofrimento psíquico da famnília, materiais pelas despesas com funeral e pela perda do pró-labore, já que o senhor Frare era remunerado como diretor e sócio majoritário.''
Quanto à auditoria em andamento na Cipasa, Munhoz comentou apenas que ''há fortes indícios de que as irregularidades constatadas até agora podem estar ligadas ao Barbino, que parece não ter agido sozinho''.
Ontem, a família do empresário morto se manifestou pela primeira vez sobre o caso, através de uma nota oficial assinada pelo advogado Walter Bittar, que atende a família em Londrina. Na nota, a família fala do repúdio pela liberdade de Barbino. A polícia pediu a prisão preventiva, do autor confesso do assassinato, mas a Justiça negou.
Sob o título ''Impunidade e Injustiça'', a nota expressa a indignação da família e a solicitação de ações do Poder Judiciário do Paraná, para o homicídio registrado no texto com adjetivos como ''bárbaro'', ''grave'' e ''covarde''. Os familiares exigem ainda ''a prisão imediata'' de Barbino, já que o ''assassino confesso transita livremente pelas ruas, como se a lei não lhe fosse dirigida''. ''Há precedentes que autorizam a prisão preventiva, não teria como a família não demonstrar tamanha indignação'', disse Munhoz.
Advogado de Barbino, Antonio Amaral, preferiu não falar sobre o assunto sem ler a nota. Sobre a ação do seu cliente, disse que ''não tem como classificá-la como bárbara'' e frisou que, desde o homicídio, ''não conversei mais que quatro horas com o Ibrain''. De acordo com Amaral, Barbino ainda está psicologicamente abalado e se encontra em tratamento médico em uma clínica.
Bittar informou que viaja hoje a Curitiba para pegar o depoimento de Alexandre. ''Isso será encaminhado na segunda-feira ao delegado Marcos Belinati.''

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