Alerta: superlotação já atinge CTIs
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segunda-feira, 04 de agosto de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Mário CésarSituação críticaO capelão do Hospital Evangélico, pastor Gérson Araújo: Governo estadual deveria aumentar oferta de leitos em hospitais públicosDepois de contaminar prontos-socorros e enfermarias, o mal da superlotação atinge agora os Centros de Terapia Intensiva (CTIs) dos maiores hospitais de Londrina. O Evangélico, hospital que oferece o maior número de leitos de CTIs (38 das 85 vagas das unidades de terapia intensiva da Cidade), vem vivendo em muitos plantões o drama de ver todos os leitos do seu CTI ocupados.
O diretor-clínico do HE, Lauro Vargas, já alertou as autoridades municipais e estaduais para o problema, além da Promotoria Pública. Ele ressalta que, se houver uma situação de alta gravidade em Londrina, como um acidente com grande número de feridos, vai faltar vaga nas CTIs e a tragédia poderá tomar proporções ainda maiores.
Vargas comenta que nas últimas três semanas aconteceram quatro picos de superlotação em todas os CTIs dos hospitais de Londrina - na Cidade, os hospitais que ofertam o Centro de Tratamento Intensino são Evangélico, Santa Casa, Hospital Universitário e Hospital Infantil. Se acontecesse um acidente sério, com seis ou oito pacientes graves, não teria onde colocá-los, comenta Lauro Vargas. Os hospitais de Londrina não têm estrutura para suportar nenhum fato anormal.
A idéia do diretor-clínico do HE é que se abra a discussão na Cidade, envolvendo 17ª Regional de Saúde, Prefeitura e Conselho Municipal de Saúde, para juntos acharem uma solução para o problema da superlotação nos CTIs, unidades que atendem os pacientes com risco de vida. Na opinião de Lauro Vargas, o governo estadual deveria investir na ampliação e criação de leitos para os CTIs dos hospitais públicos, como HU e hospitais da Zona Norte e da Zona Sul - os dois últimos não têm Centro de Terapia Intensiva. Ele sugere ainda que o Estado pense na criação destes Centros também nos hospitais de cidades da região, como Cambé e Rolândia.
O alerta à Folha sobre a superlotação nos CTIs foi feito inicialmente pelo capelão do Hospital Evangélico, pastor Gerson Araújo. Ele lembrou do sofrimento pelo qual passam as famílias de pacientes que têm dificuldade em encontrar uma vaga na unidade. Estes doentes têm que ser atendidos na hora. Eles não podem esperar um ou dois dias por uma vaga, afirma o pastor.
Gerson Araújo frisa ainda que a aflição atinge também os funcionários do HE. Ele ressalta que, nestes casos, a superlotação não afeta só os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), mas também os particulares. A superlotação nos hospitais já ficou crônica de alguns anos para cá. Mas quando os CTIs ficam lotados, a ponto de não ter mais vagas, o problema é muito grande, reclama o capelão do Evangélico. Ele também faz um alerta: O tratamento intensivo é para pacientes que precisam de um atendimento muito especial. Não dá para ter CTI de corredor.
Para Gerson Araújo, o governo estadual também deveria investir mais nos CTIs dos hospitais públicos, aumentando a oferta de leitos. Ele pede que a sociedade também comece a se movimentar para tentar resolver o problema.
Segundo o Departamento de Programação, Avaliação e Controle (DPAC) da Autarquia do Serviço Municipal de Saúde, há 85 vagas nos Centros de Tratamento Intensivo de Londrina: 38 no Hospital Evangélico, 23 no HU, 16 na Santa Casa e 8 no Hospital Infantil.
A Folha procurou ontem a chefe da 17ª Regional de Saúde, Djamedes Maria Garrido, mas ela estava em Curitiba. O diretor-administrativo da 17ª Regional de Saúde, Miguel de Barros, diz que ela está na capital para tratar, entre outros assuntos, da superlotação nos CTIs de Londrina. Ele informa que amanhã, às 8h30, haverá uma reunião na 17ª RS, com a presença de autoridades municipais, estaduais e diretores de hospitais, para discutir este problema.


