Alerta sobre doença apavora estudantes
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sexta-feira, 12 de março de 1999
Célia Baroni 
Há uma semana a estudante Gislane Jorge Rucci, de 17 anos, não pode ver nenhum tipo de pernilongo pela frente que já fica preocupada. Tudo começou na semana passada, quando um técnico da Fundação Nacional de Saúde (FNS) esteve na escola estadual Eldorado, no Jardim Califórnia (zona sul), dando uma palestra sobre a Leishmaniose - doença que ataca a pele e vísceras, provocando úlceras. Eu entendi tudo o que ele explicou, mas fiquei assustada, com medo de um destes mosquitos me picar e eu pegar a doença, conta.
Ela afirma que a informação de que o mosquito transmissor - o Flebotomíneo - vive nas matas e proximidades, se alojando nos ocos das árvores, deixou a maioria dos estudantes preocupados. Foi um comentário geral. Quase todos os alunos do colégio têm de passar perto de matas e terrenos baldios para estudar, disse.
O horário em que o mosquito transmissor da leishmaniose costuma se alimentar - primeiras horas da manhã e entre as 17h30 e 18 horas - reforçou ainda mais os temores dos estudantes. Gislane Rucci estuda à noite e sempre vai para a escola por volta das 18h30.
Nem a explicação dos técnicos da FNS - eles têm feito palestras nas escolas da cidade sobre a doença - de que a doença pode ser tratada e tem cura, acalmou a estudante. Eles disseram que a pessoa que apresentar os sintomas deve procurar atendimento no Hospital das Clínicas o mais rápido possível e que o tratamento é feito através de injeções. Quanto mais avançada estiver a doença, mais injeções a pessoa vai ter de tomar e eu morro de medo de injeção, resume.
O chefe do Distrito Sanitário da FNS, em Londrina, Elias Tenório de Lima, afirmou que a proposta da equipe não é assustar as pessoas, mas alertá-las dos riscos e sobre os sintomas da doença. Os sintomas iniciais da Leishmaniose levam a pessoa a subestimar o problema e a demorar para procurar atendimento, afirma. Ele acrescenta que muitos, sem saber que estão com a doença, tomam medicamentos que provocam o encubamento do protozoário agravando a doença.
Lima explica que, como a ferida não dói, ela acaba sendo confundida com o sintoma de um problema simples de pele. O ideal é a pessoa procurar o HC quando notar o aparecimento de qualquer ferida que não cicatriza e tende a crescer. A equipe médica do hospital está estruturada para fazer o diagnóstico correto e dar o tratamento adequado, garante.


