Alerta: poluição e desperdício
Alerta: poluição e desperdício
Vivian Albuquerque e Anna Camanducaia
Arquivo FolhaAmeaçaPara ambientalistas, não há o que se comemorar no Dia da Água: falta investimento e proteção dos mananciaisNo Dia Mundial da Água, comemorado hoje, o desperdício e a poluição ameaçam as reservas de água também no Paraná. Segundo ambientalistas de Curitiba, as cidades estão crescendo sem planejamento e infra-estrutura adequados. A Sanepar já começa a investigar fórmulas de se retirar água de lugares mais difíceis como rios distantes e mananciais subterrâneos.
A água pode faltar na torneira por dois motivos, explica o diretor do Centro de Ciências da Terra da Universidade Federal do Paraná, André Virmond Lima Bittencourt:. Porque não é feito qualquer tipo de investimento para a captação e porque não há medidas para a proteção adequada dos mananciais.
De acordo com o diretor, ainda na década de 70 começaram estudos e monitoramentos dos mananciais, que resultaram na instalação de um modelo matemático destinado a dar uma visão global da qualidade da água. Mas a cidade cresceu tanto que o modelo acabou ficando defasado.
Está faltando informação mesmo, diz ele. É até difícil graduar o problema da poluição. O próprio sistema de coleta de esgoto é defasado e para repará-lo é preciso um grande investimento. Estamos chegando ao ponto em que não haverá mais água suficiente para atender a demanda.
A opinião é compartilhada pela ambientalista Teresa Urban. Segundo ela, existem quatro grandes ameaças contra a água: a destruição generalizada das matas ciliares; as enxurradas que carregam os agrotóxicos para a água, bem como o depósito de embalagens nos rios; as instalações humanas desordenadas e sem a mínima infra-estrutura e a exploração inadequada das indústrias e hidrelétricas. O quadro é ruim e não há praticamente nada a ser comemorado. O único grande presente que poderíamos dar para a água do Paraná seria a aprovação da Lei Estadual de Recursos Hídricos.
No Paraná, a Sanepar quer diminuir as perdas no processo de produção e distribuição de água dos atuais 28% para 20% anuais - índice economicamente aceito no mundo. Segundo a gerente do Grupo Especial de Controle de Perdas, Rita de Cássia Becher, o percentual deve ser alcançado em cinco anos. Para este ano, a Sanepar prevê o fechamento das perdas em 25% - o que geraria uma economia de R$ 15 milhões.
Os investimentos para reduzir as perdas devem chegar a R$ 30 milhões neste ano. O valor será gasto na detecção dos vazamentos, readequação da rede de distribuição, melhoria da medição e de equipamentos. Segundo Rita, é preciso mudar e automatizar o sistema de medição e trocar hidrômetros em todo o Estado. Atualmente, 30% dos hidrômetros têm 10 anos de uso, mas o ideal seria que tivessem apenas cinco anos.
O Programa de Reabilitação dos Hidrômetros deve trocar, em cinco anos, 260 mil aparelhos em todo o Paraná só este ano. Os consumidores não terão que pagar pela mudança, já que o processo faz parte da atualização da empresa. Os macromedidores, que medem a água distribuída, também devem ser trocados por equipamentos mais modernos.





