ALERTA MÁXIMO - Quando a atenção vale uma vida
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segunda-feira, 05 de março de 2007
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Tristeza, dor e desespero. Sentimentos negativos como esses não assustam mais Rafaela (nome fictício), 31 anos, moradora de Londrina. Hoje, um ano e meio depois de ter tentado tirar a própria vida, a tristeza faz parte do passado da nova mulher que se confessa feliz: ''Assumo o que fiz. Hoje, gosto mais de mim''.
A história de Rafaela é parecida com a de muita gente que sofre de depressão mas que acaba não percebendo a seriedade da doença. A psicóloga Lia Regina Marques salienta que o suicídio é a consequência de uma perturbação psíquica. Segundo ela, os conflitos e a tensão nervosa acentuados, para algumas pessoas, transformam a morte num refúgio. ''A pessoa que tenta se matar sente desesperança e desamparo. Ela está num sofrimento atroz e precisa muito da ajuda da família''.
Alguns sinais, percebidos por amigos ou familiares, podem evitar uma tragédia e levar o suicida para um novo caminho. Segundo a psicóloga, disponibilidade de meios para o suicídio, idéias de suicídio abertamente faladas, preparação de um testamento, pessimismo ou falta de esperança são alguns indicadores de risco e devem ser levados a sério.
''O ideal é mostrar para a pessoa que você está percebendo o que está acontecendo com ela. Mostrar que você se importa e demonstrar apoio. Se for preciso, buscar ajuda médica. Quando a pessoa se sentir acolhida, ela buscará ajuda'', afirma.
Pesquisas apontam que no mundo suicidam-se diariamente 2 mil pessoas. O índice brasileiro é de 4,9 suicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. Em 1997, quase 1.500 jovens tentaram se matar no Brasil. Em Londrina, 30 pessoas tiraram suas vidas. Em 2005, o número caiu para 16. No geral, 7% dos suicidas sofrem de dependência química, mas 70% dos suicídios ocorrem em decorrência de uma fase depressiva.
Rafaela, casada e mãe de dois filhos, conta que, sem motivo aparente, sentia uma tristeza sem fim e uma dor que, segundo ela, era insuportável. ''Não tinha mais vontade de fazer nada. Doía no físico mesmo. Sempre gostei de estudar e não conseguia levantar da cama de tanto desânimo'', lembra.
Um dia Rafaela passou por uma crise de dores de estômago e ao ir ao médico descobriu que estava com depressão. Dois tipos de medicamentos foram indicados - um para o estômago e outro para a depressão. ''Não conseguia aceitar que estava com depressão. Achava que isso era coisa de gente doida. Então parei de tomar o remédio por conta própria e falava para todos que estava bem, quando na verdade ficava cada vez pior'', conta.
A família de Rafaela acreditou que ela estava tomando os remédios, até que um dia o pior aconteceu: desesperançosa e se achando ''um fardo'' para os familiares, Rafaela tentou tirar a própria vida tomando uma grande quantidade de remédios. ''O pior de tudo é depois você assumir o que fez e ter que olhar para as pessoas. Depois que passei por isso percebi que realmente precisava de ajuda. Busquei um tratamento e hoje minha família e meus amigos me apóiam muito. Percebi o quanto eu posso mudar'', conta.
Atualmente, além de participar de atividades culturais, Rafaela faz curso de pintura e dá aulas para adultos da Zona Rural. ''Percebo que ser feliz é isso, poder ser útil para as pessoas e ajudar quem eu puder.''


