ALERTA - Uso exagerado de remédios é tema de campanha
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Recorrer à caixinha de remédios de casa para tentar se livrar das dores ou de um pequeno mal-estar é uma prática comum entre as pessoas. Mas este comportamento, que aparentemente parece normal, pode ser muito perigoso.
O uso irracional de remédios já é considerado um problema de saúde pública em todo o mundo e um dos incentivadores desta prática são as estratégias de marketing das grandes indústrias farmacêuticas. Este foi o principal tema debatido no Workshop sobre Propaganda de Medicamentos, Alimentos e Produtos para Saúde, realizado no Hospital Universitário em Londrina, na semana passada. No próximo sábado, no Calçadão, os participantes do evento farão uma campanha de conscientização junto à população.
O evento faz parte do Projeto de Monitoração de Propaganda de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária, criado em 2004 pelo governo federal, através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em parceria com o Ministério da Saúde e as instituições de ensino superior de todas as regiões do País.
Segundo a farmacêutica e coordenadora do projeto em Londrina, Ester Okamoto Dalla Costa, existem dois grupos de medicamentos. Os que exigem prescrição médica (de tarja vermelha ou preta) e os que são isentos de prescrição, que em sua maioria são veiculados em grandes mídias e atingem o público leigo. ''Essas propagandas induzem à automedicação. Esse é o grande problema'', alerta.
De acordo com Itamar De Falco Junior, especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Anvisa, o Brasil é o país da América Latina que mais faz o uso de medicamentos sem orientação médica. ''O uso irracional é a maior causa de intoxicação no país e a segunda maior causa de óbito, ficando atrás somente dos agrotóxicos'', afirma.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o percentual de internações hospitalares provocadas por reações adversas a medicamentos ultrapassam 10% e apontam que os analgésicos, antitérmicos e antiinflamatórios são os principais causadores de intoxicação.
Para Ester, o que falta à população são alguns cuidados na hora de comprar um remédio ou se automedicar. ''As pessoas devem sempre verificar a contra-indicação na bula e o registro no Ministério da Saúde; observar atentamente as advertências obrigatórias e sempre buscar a orientação de um profissional, seja médico ou farmacêutico'', indica.


