Curitiba - Quase 37 mil acidentes de trabalho por ano colocam o Paraná como um dos líderes nacionais no nefasto ranking de acidentes no ambiente de trabalho, atrás somente de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Curitiba ocupa a mesma posição nas estatísticas por cidades, tendo registrado mais de 8,2 mil acidentes no ano de 2006, na lista encabeçada por São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
São números que não permitem qualquer tipo de comemoração, e que acabam por confirmar 28 de abril como o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho. ''Nosso objetivo foi alertar toda a sociedade que os acidentes de trabalho matam mais que a dengue, que a aids e que a guerra'', disse o presidente do Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Paraná (Sintespar). A entidade realizou uma passeata em Curitiba, na semana passada.
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que também o Brasil tem uma posição de destaque nas estatísticas dos acidentes de trabalho: o país ocupa mundialmente o quarto lugar no número de mortes, com 2.503 óbitos, perdendo somente para a China (14.924), Estados Unidos (5.764) e Rússia (3.090). De acordo com o Ministério da Previdência Social, entre 2004 e 2006, o Brasil aumentou de 465 mil para 503 mil o número de vítimas de acidentes de trabalho. ''Precisaríamos ter uma política pública nacional de verdade de combate aos acidentes de trabalho'', afirmou Souza. Na opinião do sindicalista, uma ampla campanha de conscientização do empresariado, com participação dos sindicatos de trabalhadores, poderia diminuir esses números.
Em todo o mundo são 270 milhões de acidentes de trabalho por ano, dois milhões deles com vítimas, segundo a OIT. São três vidas perdidas por minuto, 6 mil mortes por dia, o que representa o dobro de vítimas de conflitos armados. No Brasil são 1,3 milhão de casos anuais, tendo como principal motivo o descumprimento de normas básicas de proteção dos trabalhadores e más condições nos ambientes e processos de trabalho.
Para a procuradora do Trabalho no Paraná, Marília Massignan Coppla, o descumprimento de normas de proteção é resultado do desconhecimento da legislação por parte das empresas. ''É preciso investir na prevenção e na conscientização do empresariado'', disse. De acordo com a procuradora, o que um empresário gastaria no pagamento das indenizações de um único acidente poderia ser aplicado na prevenção de diversos outros. ''Segundo a OIT, os gastos com acidentes representam 4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. É de se pensar o quanto é gasto com esse tipo de situação que poderia ser destinado a campanhas de prevenção''.

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