ALERTA - Levante e mexa-se
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quinta-feira, 03 de fevereiro de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
A relações públicas Marlene Ferreira Royer, 40 anos, passa oito horas por dia sentada em frente ao computador e as consequências dessa rotina são perceptíveis quando ela chega em casa. ''Sinto dores na coluna e muito cansaço nas pernas e nos pés. De vez em quando, chegam a formigar'', conta ela, que procurou atendimento médico e foi orientada a praticar atividades físicas.
Essa situação relatada por Marlene é um exemplo entre muitas pessoas que trabalham ou passam muito tempo sentadas e sentem algum sintoma físico. E é justamente sobre os riscos dessa rotina, que um estudo realizado pela Universidade de Queensland, na Austrália, faz um alerta.
A pesquisa aponta que as pessoas que ficam muito tempo sentadas podem ter maior risco cardíaco e afirma que o simples ato de se levantar mais vezes, mesmo que seja para beber água ou até mudar o canal da televisão, pode diminuir essa propensão.
Ainda de acordo com a pesquisa, até quem é sedentário, mas faz várias pausas para levantar durante o dia, tem menor risco do que quem faz atividades físicas e fica longos períodos sentado.
O estudo acompanhou 4.757 pessoas com mais de 20 anos entre 2003 e 2006. Cada voluntário recebeu um aparelho que monitorou a atividade física durante sete dias. Também foram medidos os níveis de quatro marcadores de risco de doença cardiovascular: a quantidade de uma proteína que sinaliza a formação de aterosclerose, os níveis de HDL (colesterol ''bom''), triglicérides e a circunferência abdominal. Quem se movimentou mais teve todos os índices melhores.
Para o médico Manoel Canesin, presidente da Sociedade Paranaense de Cardiologia, o risco cardíaco existe não só para quem permanece muito tempo sentado, mas também para quem fica em pé por longos períodos, pois o fator de risco está ligado à imobilidade.
''Quando você não se movimenta, não força a musculatura dos membros inferiores e isso dificulta o retorno do sangue, causando a estase venosa (acúmulo de sangue) e aumentando as chances desse sangue coagular'', comenta.
Em pessoas com fatores de risco (fumantes, mulheres que tomam anticoncepcional, obesidade, diabetes e o próprio envelhecimento) a atenção deve ser redobrada, pois de acordo com o cardiologista, esse grupo apresenta um maior risco de sofrer uma embolia periférica e também uma trombose venosa profunda. ''Essa embolia pode causar uma morte súbita por formar coágulos no pulmão, que acabam entupindo uma artéria importante e fazendo com que o coração faça uma ritmia'', explica.


