A Semana Mundial da Alergia é comemorada de 8 a 14 de abril e traz como tema
principal a "Alergia alimentar - um problema de saúde global crescente". Segundo dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), cerca de 30% da população sofrem de alergia, sendo que 20% são crianças. As alergias alimentares acometem 5%, afetando as crianças em sua maioria.
De acordo com a alergologista do Hospital Vita Batel e diretora da Asbai Paraná, Loraine Landgraf, antes de tudo, é necessário entender o que é a doença. "Alergia é uma reação adversa a determinado alimento. Envolve um mecanismo imunológico e tem apresentação clínica muito variável, com sintomas que podem surgir na pele, no sistema gastrintestinal e respiratório. Podem ser leves, como simples coceira nos lábios, até reações graves, podendo comprometer vários órgãos", explica.
Qualquer alimento pode desencadear reação alérgica. No entanto, a especialista afirma que leite de vaca, ovo, soja, trigo, peixe e crustáceos são os mais envolvidos com a doença. "A sensibilização a estes alimentos depende dos hábitos alimentares da população. O amendoim, os crustáceos, o leite de vaca e as nozes são os alimentos que provocam reações graves (anafiláticas) com mais frequência", destaca.
A médica também lembra que a predisposição genética pode ter importante papel para o aparecimento da patologia. "Estudos indicam que de 50% a 70% dos pacientes com alergia alimentar possuem história familiar da doença. Se o pai e a mãe apresentam alergia, a probabilidade de terem filhos alérgicos é de 75%", ressalta.

Tratamento
Com relação ao tratamento, não há um medicamento específico que previna a alergia, mas, uma vez diagnosticada, devem ser utilizados remédios específicos para o tratamento dos sintomas. Além disso, parar a ingestão do alimento suspeito é essencial.
Para a especialista, também é necessário que o médico oriente sobre a importância da leitura de rótulos. "É primordial a identificação de nomes que possam corresponder ao alimento desencadeante das manifestações clínicas. Existem pacientes que podem sofrer reações graves porque determinado produto industrializado mudou a formulação, incluindo ingrediente ao qual a pessoa é alérgica", alerta.

Intolerância
É importante que as pessoas saibam distinguir uma alergia alimentar de outras reações a alimentos e, principalmente, da intolerância alimentar. "É preciso entender que quando se fala em alergia estamos nos referindo às proteínas do alimento e que quando falamos de intolerância estamos nos referindo aos açúcares. No caso do leite de vaca, o açúcar importante é a lactose e, portanto, chamamos de intolerância à lactose e não alergia à lactose", explica Loraine.
Sintomas como urticária, inchaço de lábios, pálpebras e outras partes do corpo, chiado no peito e até mesmo reações mais graves e generalizadas, como a anafilática, são características da alergia, não sendo encontradas nos casos de intolerância alimentar.
"Por meio do exame o paciente esclarece as dúvidas, estabelece o diagnóstico e encontra a melhor conduta para a situação. Esta orientação é fundamental, não somente nos casos de choque anafilático, em que o paciente pode correr risco de morte, mas também nos casos de intolerância alimentar para efetuar o diagnóstico correto e garantir a alimentação adequada", conclui a especialista.
A Semana é idealizada pela Organização Mundial de Alergia (World Allergy Organization – WAO) e neste período a Asbai alerta sobre o principal vilão da alergia alimentar no Brasil: o leite de vaca e seus derivados. Além disso, destaca as alergias provindas da clara de ovo, dos frutos do mar e das sementes. A campanha também apresentará casos globais de alergia alimentar. Durante esses dias, cada presidente, junto a sua equipe, levará a informação para a população local. Ao todo, são 21 regionais participantes.

mockup