Além de muro, morador quer polícia
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segunda-feira, 09 de junho de 1997
De Curitiba 
De que a construção de muros mais altos no Cemitério Municipal da Água Verde é uma boa notícia, nenhum morador vizinho discorda. Mas isso não quer dizer que a obra vai resolver o problema da falta de segurança no local está resolvido. Pode até ficar difícil para os vândalos e ladrões se esconderem ali, mas só uma presença policial maior pode nos tranquilizar, diz Licindo Ferraz, que já teve suas empresas assaltadas três vezes.
Ferraz mantém uma confecção e uma agência de turismo na Rua Monsenhor Manuel Vicente, nos fundos do cemitério. O último assalto foi no dia 21 de abril, quando os ladrões doparam meu cão fila, arrombaram a janela e levaram um aparelho de fax e uma máquina életrica de datilografar, conta o empresário. Contabilizados os prejuízos dos roubos e os investimentos em segurança, já foram mais de R$ 10 mil. Ele colocou grades de ferro nas janelas e instalou um sistema de alarme.
Apesar das medidas de segurança, os assaltantes visitaram novamente a casa segunda-feira passada. Os vizinhos chamaram à polícia e frustraram a tentativa de roubo. Enquanto segura Thor, um fila com cara nada amigável, o empresário diz que até suas empregadas sofrem o assédio dos vândalos e ladrões, acostumados a pular o muro baixo e se refugiar entre as sepulturas. Eles vivem incomodando as minhas costureiras, revela Ferraz.
O aposentado Ivan Rigotti garante que a construção dos muros altos não vai enfraquecer o trabalho do Conselho Comunitário de Segurança, do qual é integrante. Vamos continuar exigindo a presença dos policiais na área em volta do cemitério, promete. Ele recorda que a elevação dos muros era uma reivindicação antiga, proposta anteriormente pelos vereadores Celso Torquato (PMDB) e Natálio Stica (PT), e agora por Dino Almeida (PDT), que conseguiu aprová-la.
Morador da Rua Samuel César, ao lado do cemitério, Rigotti mostra as cicatrizes próximas ao olho direito e nas costas para falar das duas facadas que recebeu durante um assalto. Foi há dois anos. Eu cheguei em casa e fui supreendido por três homens. Todos foram presos mais tarde. Eles tinham mais de 622 quilos em bronze, lembra o aposentado. A segurança do local se limita a um posto da Polícia Militar e rondas eventuais da Guarda Municipal, que começou a vigiar o cemitério há um mês.


