''O Paraná é um dos estados brasileiros que precisa de aumentar o tempo de aleitamento materno''. a afirmação é da coordenadora da Saúde da Criança e Aleitamento do Ministério da Saúde, Elsa Giugliani, informando que os estados do Sul, com exceção de Santa Catarina, apresentam índices baixos de amamentação. ''No Norte do Brasil as crianças são amamentadas por mais tempo. Sabemos que esta é uma questão cultural'', completou. Ela esteve ontem em Londrina, para certificar unidades básicas de saúde.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que as crianças sejam amamentadas exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade e que a amamentação continue, complementando a alimentação, até os dois anos. ''Temos muitos desafios pela frente. Atualmente a média de amamentação no Brasil varia entre 12 e 14 meses, bem distante dos 24 meses recomendados. Para o aleitamento exuclusivo, a média é de dois meses, quando deveria ser de seis'', explicou.
Elsa disse que a boa notícia é que os números têm melhorado se comparados ao início da década de 80, quando praticamente não existia amamentação exclusiva. ''Hoje 41% das crianças de zero a seis meses estão mamando. Avançamos muito, mas precisamos continuar este trabalho para que a maioria das mulheres consiga cumprir esta recomendação'', completou.
De acordo com a coordenadora, a conquista deste objetivo depende de mudanças na legislação. ''Sem dúvida um dos obstáculos da amamentação exclusiva é o trabalho da mulher fora de casa. Isso não impede totalmente mas dificulta'', disse, destacando que a mulher pode retirar o leite e armazenar em um congelador para posteriormente oferecer ao bebê. Elsa afirmou que o MS está trabalhando em estratégias de incentivo às empresas para apoiar as mulheres na amamentação.
Londrina
Em Londrina, um trabalho de incentivo ao aleitamento materno é realizado desde 2006. A iniciativa, pioneira no Brasil, foi ampliada pelo MS a todos os estados do país e passou a ser chamada de Rede Amamenta Brasil. Apesar desse trabalho, a coordenadora do Comitê de Aleitamento Materno de Londrina, Lilian Poli de Castro, disse que os índices ainda são considerados baixos. ''Os nossos números apresentaram uma melhora, mas segundo a última pesquisa realizada em 2010, apenas 40% das crianças entre zero e seis meses são amamentadas de forma exclusiva na cidade.''
Na tarde de ontem, representantes do MS participaram da solenidade que certificou UBS na Rede Amamenta Brasil. Em Londrina foram credenciadas as unidades da Warta (Zona Norte), dos jardins San Izidro e Piza (ambas na Zona Sul). Outras oito unidades credenciadas pertencem a sete cidades que fazem parte da 17 Regional de Saúde.
O projeto reconhece os trabalhos desenvolvidos nas UBS, com funcionários e mães, e o esforço realizado pela ampliação e continuidade do aleitamento materno na sociedade.

mockup