ALEITAMENTO MATERNO - Incentivo à amamentação nas primeiras horas
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quarta-feira, 02 de agosto de 2017
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 

As primeiras horas de vida são muito importantes para estabelecer uma rotina que pode fazer grande diferença para o desenvolvimento dos bebês: a amamentação. Por isso, a Semana Mundial do Aleitamento Materno, que começou a ser celebrada nesta quarta-feira (dia 2) em Londrina, incluiu uma mesa-redonda sobre nota técnica elaborada pelo Calma (Comitê de Aleitamento Materno de Londrina) para orientação dos serviços de saúde sobre a importância do aleitamento materno exclusivo para recém-nascidos.
A enfermeira e coordenadora do Calma, Lilian Poli de Castro, explicou que a nota técnica recomenda evitar o uso de complementos alimentares como as fórmulas infantis para alimentar recém-nascidos saudáveis, que nasceram a termo (na época certa) e filhos de mães saudáveis. As recomendações, segundo ela, já foram implantadas pela Secretaria Municipal de Saúde e agora devem ser adotadas por outras instituições que atendem esse público. "A ideia é auxiliar a organização dos serviços de assistência à mulher que amamenta, com base nas recomendações das políticas públicas de saúde atuais sobre esse assunto", afirmou.
Segundo ela, há um consenso de que não é necessário oferecer complemento para alimentar bebês saudáveis. Por uma questão cultural, entretanto, os familiares têm expectativa que o leite artificial seja oferecido e até mesmo os profissionais acabam recomendando. "Na nota reunimos as políticas atuais de saúde para orientar os profissionais que atendem a mulher que amamenta, tanto logo após o parto como depois, nas UBS (unidades básicas de saúde) e em outros serviços. A mãe, para amamentar, precisa ter serviços de saúde sensíveis ao aleitamento materno, com pessoas que possam acompanhá-la neste processo", pontua. Quando isso não ocorre, há um grande risco de desmame precoce.
Para incentivar o estabelecimento da amamentação, o recomendável é favorecer o contato pele a pele logo na primeira hora após o nascimento e estimular o aleitamento em livre demanda sem intervalo ou duração definida. Cabe aos profissionais identificar e corrigir eventuais problemas em recém-nascidos com dificuldades de sucção ou pega. "se não é corrigido, a criança continua com a dificuldade e a mãe pode sair do hospital com fissura na mama. Isso provoca dor e pode incentivar o desmame", diz.
Outra recomendação é evitar bicos artificiais, como chupeta e mamadeira. No caso de ser necessário complementar, o ideal é usar o copinho ou uma técnica chamada translactação, que consiste em oferecer o leite por uma sonda acoplada à mama. "Recém-nascidos a termo, cujas mães são saudáveis, não precisam de complementação quando a amamentação não está completamente estabelecida por 24 ou 48 horas, a menos que o processo não tenha sido efetivado", reforça, lembrando que os exames de hipoglicemia do bebê devem ser avaliados de acordo com os níveis estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Castro informa que uma pesquisa realizada pelo Calma detectou que, em 2010, apenas 40,5% das crianças londrinenses foram amamentadas de forma exclusiva nos primeiros seis meses de vida, como preconiza a Organização Mundial de Saúde (OMS). "O índice é preocupante, pois deveríamos estar próximos de 100%. Houve muitos avanços, pois em 2002 o índice era de 21%. Isso nos diz que as políticas públicas precisam continuar avançando", pondera.
A enfermeira lembra que bebês devem ser alimentados exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade e, a partir dessa fase, receber alimentação complementar e continuar sendo amamentada até os dois anos ou mais. "O leite materno é o melhor alimento que uma criança pode receber, pois é completo e protege contra doenças. Ser amamentada é um direito", reforça.
HOSPITAIS
Equipes de enfermagem que atendem nos grandes hospitais de Londrina garantem que estão cientes sobre a importância da amamentação exclusiva nas primeiras horas.
Erika Cristina Rolim Rosa, enfermeira da maternidade Mater Dei, informou que as mães são bastante incentivadas a amamentarem. "Só oferecemos a fórmula em último caso, mas tem pais que insistem muito", conta ela, lembrando que alguns pediatras acabam incentivando o uso precoce de fórmulas artificiais porque já deixam prescritos para as enfermeiras usarem caso seja necessário. "As mães que não têm paciência para amamentar veem a prescrição e questionam", diz, destacando que a amamentação se consolida com tranquilidade no caso das mães bem informadas sobre o assunto e que demonstram vontade de oferecer o leite materno a seus filhos.
Jenifer Mayara Queiroz Soares, 21, deu à luz nesta quarta, na Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, e já amamentou a filha Maria Beatriz. Na maternidade, a amamentação é uma prática incentivada a todas as mães. "Colocamos os bebês para mamar no primeiro minuto de vida para estimular a sucção. Quando eventualmente é preciso oferecer complemento por algum problema na descida do leite, só oferecemos leite humano", diz a coordenadora de enfermagem Zandira Batista. "Oferecemos fórmulas apenas para os filhos de mães portadoras do HIV, para prevenir o contágio", acrescenta.
Ela analisa que, por se tratar de um hospital em que só nascem bebês de baixo risco, a adesão ao aleitamento materno é maior. "Por outro lado, percebemos que as mulheres que têm muitos afazeres em casa acabam desistindo. Outro fator que atrapalha muito é o uso de celulares. Muitas mulheres ficam querendo ver redes sociais, não focam na amamentação e desistem", lamenta.


