Cultura, tradição e religião. Estes são os pilares em que se baseia a Folia de Reis. Com o objetivo de manter viva esta festa, o padre Lourival Zati promove há quatro anos o Encontro das Bandeiras na Paróquia de Jesus Cristo Libertador, no patrimônio Heimtal, zona norte da cidade. A festa foi realizada ontem e participaram 18 grupos de foliões que trouxeram cores, música e dança para a localidade. Cada grupo tem sua bandeira e sua forma de se apresentar, o objetivo é um só: anunciar o nascimento de Jesus.
A tradicional Folia de Reis é realizada após o Natal até o dia 6 de janeiro e o encontro das bandeiras é uma confraternização entre os grupos para marcar o encerramento das atividades. Segundo o padre, esta é uma cultura bastante ligada ao meio rural, por isso está se perdendo. Em Londrina são apenas quatro grupos. Ele considera uma vitória o fato de conseguir reunir foliões de outros municípios da região e até do estado de São Paulo na cidade.
A comunidade, que durante a festividade recebe os foliões na porta de casa e colabora fazendo doações de alimentos, participa e incentiva a continuidade da festa. ''Acreditamos que desta forma estamos contribuindo com a identidade cultural da comunidade. Esta é a única paróquia de Londrina que realiza a festa de Reis'', disse o padre, afirmando que quando seminarista também era folião. Além de se apresentarem no IV Encontro de Bandeiras, os grupos participaram de uma missa sertaneja e um almoço comunitário.
O grupo de foliões São Francisco de Assis veio de Primeiro de Maio (norte) para participar da festa. Para João Rosa do Valle, porta bandeira, o encontro é uma grande alegria. ''Comecei aos 13 anos e estou até hoje. Nosso grupo tem 15 integrantes e sabemos que não podemos deixar morrer esta tradição. No dia que acabar a Folia de Reis acaba tudo porque contamos o fato mais importante da história que é o nascimento de Jesus Cristo'', disse. Segundo ele, nas visitas que são feitas às residências, o grupo pede doações, que são entregues à igreja. ''Arrecadamos cerca de três toneladas de alimentos todos os anos. Tudo é repassado ao asilo e a uma creche da cidade'', explicou.
Entre pandeiro, violões e tambores, as vozes disputam atenção com os ''bastiões'', palhaços mascarados que dançam e motivam os demais integrantes. Um dos dois bastiões do grupo é Vagner Silvestre, que com apenas 16 anos assumiu o papel e se comprometeu com a tradição. ''Eu sempre quis fazer parte disso e agora que sou um deles me sinto muito feliz. Minha mãe fica orgulhosa quando me vê dançando'', afirmou.
A participação dos mais velhos motiva as crianças e jovens a integrarem os grupos e a tradição passa de pai para filho. Francisco Garbosi é aposentado e embaixador do grupo Mensageiros da Paz, de Londrina. Segundo ele, a primeira questão que envolve a Folia de Reis é a fé. ''Eu faço parte desde 1989 e não consigo me imaginar sem esta cultura. Cresci neste meio e hoje tenho filhos e netos que participam'', destacou.
A emoção ligada às apresentações dos grupos não fica restrita aos foliões. Há quem não consiga conter as lágrimas diante das músicas e das cores das bandeiras. É o caso da dona de casa Mariana Pereira da Rocha. ''Meu pai já é falecido e sempre foi do grupo de Reis. Quando eles batem à minha porta eu tenho um sentimento muito forte. É um vínculo familiar grande. Hoje meus filhos estão seguindo a tradição e neste ano a minha neta, Maria Eduarda, também começou a participar'', disse emocionada mostrando que a tradição da família tem tudo para continuar.

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