Alegria de ser mãe do coração
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Londrina - Há quatro anos mãe do coração dos gêmeos Luísa e Davi, de 4 anos, a pedagoga Renata Moratto Soares, de 44 anos, se sente completa vivendo a sua maternidade. O desejo de ter um filho biológico definitivamente ficou para trás após passar por dois abortos espontâneos, decorrentes de problemas genéticos, e a adoção se tornar realidade. Ela e o marido, o técnico administrativo Adailson José Soares, de 34 anos, estimavam ficar na fila da adoção durante cinco anos - mesmo não tendo feito nenhuma restrição de idade ou cor (inclusive com a possibilidade da criança ter doenças tratáveis) e no terceiro ano eles se tornaram pais dos gêmeos, que chegaram aos 6 meses de vida.
"Ligaram para mim às 17h30, e no dia seguinte, às 13h30, já podíamos pegar as crianças no orfanato. Havia um casal antes de nós, mas eles queriam separar as crianças, e a preferência foi por nós, que não admitíamos a ideia de separá-los. Foi uma emoção imensa e da noite para o dia entrei de licença-maternidade, sem ao menos ter uma chupeta em casa", lembra, com bom humor. "Além dos dois terem asma e bronquite, o Davi tinha um problema de saúde que causava uma paralisia parcial, mas nada que fisioterapia e muito amor não resolvesse. Hoje ele não tem nenhuma sequela e é acompanhado pela mesma pediatra que cuidava deles no abrigo que moravam, fechado recentemente", comenta.
Com várias experiências bem-sucedidas de adoção na família, Renata conta que foi tranquilo seguir em frente com o sonho de adotar. "Pela questão financeira, alguns chegaram a achar uma loucura adotar gêmeos, mas o nosso desejo de dar certo era maior", destaca. "E quando chegamos para pegá-los, eles já vieram sorrindo, dando os bracinhos, sabíamos que eram os nossos filhos desde o primeiro olhar. Tinha entregue para Deus o meu desejo de adotar e não tinha dúvida de que o melhor aconteceria", comenta.
Feliz com a escolha, ela e o marido recomendam a adoção. "É um amor imenso, emocionante, sem explicação, e sempre falo que as pessoas podem ir amadurecendo a ideia enquanto aguardam na lista de espera. Hoje há muitas palestras e cursos preparatórios para quem tem a intenção de adotar. O bom disso é que muitos interessados estão mudando o perfil no cadastro, aceitando melhor a ideia da adoção tardia, que estávamos aptos a fazer também", avalia.
Sobre o futuro, Renata admite que ainda "dá frio na barriga" quando pensa nos questionamentos que eles possam vir a fazer, mas tenta lidar com isso com naturalidade. Ela vai abordando o tema até mesmo por meio da literatura infantil. "Respondemos até onde a curiosidade deles pede, sem avançar demais. Sempre falo que são filhos do meu coração", conclui.


