Para formatar projetos viáveis e auto-sustentáveis, a comunidade de Apucaraninha pretende buscar inspiração em outras aldeias indígenas do País. Segundo a antropóloga da Secretaria Municipal de Assistência Social, Marlene de Oliveira, nos próximos meses representantes da reserva de Tamarana deverão visitar povos mais distantes, em Estados como Pará e Tocantins, para trocar experiências.
''Temos que ter em mente projetos que dêem retorno para os Kaingang. Embora o índio tradicionalmente não vise lucro em nada, não podemos esquecer que estamos dentro de um sistema capitalista que é cruel e que ao longo do processo de contato (com o homem branco) ele se viu obrigado a vender sua produção'', explicou, lembrando que a cestaria feita pelas mulheres indígenas, por exemplo, muitas vezes é trocada por alimentos nas ruas, a valores bem menores do que os devidos.
Além dos projetos voltados à produtividade agrícola, a antropóloga defendeu ações sócio-culturais e trabalhos voltados à coleta e destinação do lixo. ''Até pouco tempo os índios não acumulavam lixo e ele era quase todo orgânico. Temos que pensar em como trabalhar esses resíduos, como reciclar'', citou. Na área cultural, ela acredita que parte dos recursos poderia ser utilizado no resgate de festas tradicionais, que privilegiassem o lazer do Kaingang.
Se as ações realmente contribuírem para a melhoria da qualidade de vida em Apucaraninha, é possível que ela atraia indígenas de outras reservas, como já vem acontecendo mesmo antes da indenização. Marlene afirmou que as próprias autoridades indígenas deverão criar mecanismos para evitar isso. ''O território deles já é muito pequeno para uma população que vem crescendo (cerca de 1,3 mil pessoas, atualmente)'', ponderou. (V.N.)

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