A religião muçulmana é uma crença profunda baseada no Alcorão, que foi revelado pelo profeta Maomé, no ano 610 d.C.. O Alcorão determina aos seguidores desta religião leis espirituais, mas também contém uma grande parte destinada a regulamentar as leis que devem ser obedecidas pelo estado islâmico. Segundo o líder religioso dos muçulmanos xiitas do Brasil, o xeque Sayed Bilal Wehb, o papel do Alcorão é ‘‘organizar o estado sobre as leis totais’’, ao mesmo tempo exigindo grande responsabilidade social dos seus seguidores.
Todos os procedimentos apregoados pelo Alcorão, segundo o xeque, têm uma explicação intimamente ligada à preservação da sociedade, da saúde e do desenvolvimento do espírito. Analisando pontos polêmicos do Alcorão para os ocidentais, como a determinação de se cortar os dedos dos ladrões, e a proibição de danças e bebidas alcoólicas, Bilal diz que a preservação da sociedade está em primeiro plano. ‘‘O governo do Irã (único país em que vigora a constituição islâmica) tenta reeducar os ladrões, mas quando se constata que ele é um viciado em roubo - porque não precisa disto para viver - então se aplica a amputação.’’
Na opinião de Bilal, esse não é um ato desumano, porque foi dada uma chance de recuperação ao ladrão. Se não houver punição, quem trabalha é que sai prejudicado. Desde que chegou no Brasil, há quatro anos, o xeque percebe que a criminalidade vem aumentando, principalmente por causa da impunidade, aliada ao caótico sistema penitenciário, cujas instituições deveriam ser transformadas em pólos de ensino e trabalho.
A religião islâmica prevê que as pessoas podem ter o desejo sexual atendido, desde que com a sua companheira. O adultério não é tolerado. A bedida alcoólica também não é permitida, assim como a ingestão de carne de porco e peixes sem escamas, que para os seguidores de Maomé prejudicam a saúde. A abrangência do Alcorão é tão extensa que acaba atingindo a agiotagem, que não é permitida. ‘‘Quer ser rico, busque a riqueza através da honestidade e trabalho. Não pratique a usura para não escravizar seu semelhante’’, alerta Bilal.
Rigor com as mulheres - Sobre as mulheres, Bilal diz que o Alcorão exige que todas cubram o corpo totalmente, inclusive os cabelos. O xeque justifica esse procedimento como uma garantia da igualdade de condições entre homem e mulher na sociedade. ‘‘A mulher tem o mesmo espaço e respeito que o homem’’, diz. Não há restrições quanto à participação no trabalho, na política e até na prática esportiva, desde que com vestes que cubram o corpo e cabelos. ‘‘Quando deixa de utilizar seus dotes na sociedade, a mulher passa a ser um elemento produtivo, assim como os homens’’. Bilal, que é casado e pai de três filhos, vai ainda mais além, ao dizer que não acredita que uma mulher seja mais sexy e tenha mais liberdade que a dele, só por usar roupas decotadas. ‘‘Liberdade não se traduz pela vestimenta’’, diz.

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