Alcopar firma acordo contra trabalho infantil
Marcos Zanatta
De Maringá
A Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar) assume hoje com a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, o compromisso de que nenhuma destilaria do Estado vai oferecer trabalho para menores. O acordo prevê ainda que a Alcopar vai assumir várias obrigações. Entre as principais está a de recomendar aos fornecedores o fim do trabalho infantil, o respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente no caso de empregados entre 16 e 18 anos e a manutenção das crianças na escola. A associação reúne 28 usinas que geram 74 mil empregos diretos em 115 municípios do Paraná.
As usinas pretendem também assumir o compromisso de ampliar a formação profissional dos adolescentes, atendendo as comunidades onde se concentram os cortadores de cana. O acordo com a Fundação Abrinq já existe em outros Estados e também em outras áreas da economia, sempre promovendo o fim da exploração do trabalho infantil e financiando iniciativas para melhorar a qualidade da escola pública. O acordo com a Alcopar será assinado às 19h30, no Golden Ingá Hotel, em Maringá.
O fim da contratação de menores para o corte da cana, que costumava ser feita pelas usinas da região de Maringá há alguns anos, desagrada as famílias de trabalhadores rurais volantes. No Conjunto Santa Terezinha, no distrito de Iguatemi, em Maringá, onde se concentram as famílias de bóias-frias, as mulheres reclamam da falta de serviço para os filhos. Acho que maior de 16 anos tem que trabalhar, e na roça eles aprendem como é a vida, diz a diarista Ezelita Ladeira. Ela conta que os filhos menores de 18 anos perderam o serviço no corte da cana, hoje alguns são maiores e não encontram outra colocação.
Nenhum dos três filhos dela, que trabalham na roça, parou de estudar. Hoje eles estão se formando, mas não têm emprego, ficam por aí fazendo besteira, lamenta. Outra diarista, Divina Rosa dos Santos, diz que sente a diferença nos filhos quando não estão trabalhando. Ela conta que o filho mais velho, hoje com 25 anos, começou a trabalhar com 14 e nunca deu problema para a família. O outro, que está com 16 anos, tem outra cabeça. Quando trabalha, a pessoa sente orgulho e é mais feliz, ensina. No bairro o que mais se vê pelas ruas são menores de idade procurando o que fazer, como eles mesmos dizem.No acordo com a Fundação Abrinq, destilarias se comprometem a manter menores de idade na escola
Ossamu KandaCONTRAAs diaristas Ezelita e Divina, moradoras do distrito de Iguatemi não gostaram do acordo e entendem que maiores de 16 anos devem trabalhar; nas ruas do distrito é comum ver jovens sem ocupação





